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Coronel da Força Aérea do Equador que combatia o tráfico é morto a tiros
Um coronel da Força Aérea Equatoriana (FAE), responsável por operações contra o narcotráfico, foi morto a tiros nesta sexta-feira (14) perto de uma penitenciária da cidade de Guayaquil, em um novo episódio de violência neste país assolado pelo crime organizado.
O veículo do coronel Porfirio Cedeño, do Grupo de Operações Especiais da FAE, foi atingido por mais de 20 tiros, enquanto "ele viajava para uma cerimônia na cidade de Manta" informou Santiago Tuston, chefe de polícia na área.
Os homens armados "conseguiram alcançá-lo cerca de 200 metros antes de chegar à penitenciária e abriram fogo", acrescentou.
O motorista do veículo ficou ferido na perna e foi levado a um hospital.
Cedeño viajava em uma caminhonete cinza, que ficou no meio da via, com os vidros quebrados e várias perfurações nas portas, observou a AFP.
O oficial liderava operações militares contra o tráfico de drogas e máfias de sicários e extorsionistas que aterrorizam a empobrecida cidade de Durán, vizinha a Guayaquil e considerada um centro da crescente atividade criminosa no Equador.
"Esses fatos evidenciam o estado de guerra em que está mergulhado o Equador", declarou a Presidência em um comunicado.
- "Um grito de guerra" -
O ministro da Defesa, Gian Carlo Loffredo, condenou o crime e pediu aos militares que acabassem com o terror.
"Está em nossas mãos fazer com que este ato de covardia se torne o fim de uma era de terror e dos miseráveis que a protagonizaram", disse Loffredo em uma cerimônia realizada na base da FAE em Manta por ocasião do 30º aniversário de uma guerra não declarada com o Peru por um conflito territorial.
"Vamos fazer com que a este doloroso minuto de silêncio de hoje, siga um grito de guerra" contra o crime organizado, acrescentou o ministro.
O Equador se tornou, nos últimos anos, um campo de batalha entre várias gangues que se enfrentam a sangue e fogo pelas rotas da cocaína que saem em direção aos Estados Unidos e à Europa por meio de cidades portuárias estratégicas, como Guayaquil.
Em 2024, as autoridades apreenderam o recorde de 294 toneladas de drogas, a maior parte cocaína. Está em vigor no país um estado de exceção que permite ao governo mobilizar forças de segurança nas ruas e prisões.
De acordo com a polícia, o coronel Cedeño costumava realizar seu trabalho no setor chamado Atarazana, no norte de Guayaquil, onde há uma base da Força Aérea.
Nesta sexta-feira, ele viajava para Manta para participar de uma cerimônia militar. Manta e Guayaquil, ambas localizadas na costa do Equador, são algumas das cidades mais atingidas pela violência do narcotráfico.
- Recompensa -
As Forças Armadas ofereceram uma recompensa - sem especificar o valor - para capturar os responsáveis pelo "ataque armado contra o pessoal militar".
O ex-presidente de esquerda Rafael Correa (2007-2017) lamentou em sua conta na rede social X o assassinato de Cedeño. "Quando ele era capitão, foi por muitos anos parte da minha segurança e um querido amigo. Com ele, andávamos de bicicleta", escreveu.
O Equador é palco de crimes contínuos, apesar das políticas linha dura do presidente Daniel Noboa.
O país registrou um recorde de 47 homicídios por cada 100.000 habitantes em 2023. O número caiu para 38 no ano seguinte, segundo informações oficiais.
Esta nação de cerca de 18 milhões de habitantes se prepara para eleger seu próximo presidente em um segundo turno em 13 de abril, entre o atual presidente e Luisa González, apadrinhada por Correa.
N.Mitchell--AT