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Incêndio em fábrica de fantasias deixa 21 feridos no Rio de Janeiro
Um incêndio em uma fábrica que produzia fantasias em condições irregulares no Rio de Janeiro deixou 21 feridos nesta quarta-feira (12), 10 deles em estado grave, às vésperas do Carnaval.
Os empregados da fábrica Maximus corriam contra o tempo para finalizar os adereços de várias escolas de samba que desfilam no fim do mês na Marquês de Sapucaí.
Bombeiros subiram em escadas até uma janela onde os funcionários da fábrica, de 500 metros quadrados, no bairro de Ramos, zona norte da cidade, pediam ajuda, segundo imagens transmitidas pela imprensa.
Um porta-voz do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro informou à AFP que 21 pessoas foram internadas. Segundo o prefeito Eduardo Paes (PSD), dez delas estavam em estado grave. Oito pacientes estavam "entubados, em respiração artificial", disse, por sua vez, a secretária de Saúde do estado, Claudia Mello.
"Esse local não consta com o certificado de aprovação", informou o major Fábio Contreiras, porta-voz do Corpo de Bombeiros, acrescentando que o incêndio foi extinto, embora ainda haja risco de desabamento no edifício. "Há muitas fantasias, bastante material que conseguimos preservar" com trabalhos de isolamento térmico.
Um cheiro de plástico queimado dominava a área mesmo várias horas após o incidente, constatou a AFP.
- 'Dormindo' no local -
O coronel Luciano Sarmento, chefe do estado-maior do corpo de bombeiros estadual, informou que os feridos trabalhavam de "forma precária" e sem "condições de segurança".
Sarmento também indicou que já havia ocorrido incêndios na fábrica anteriormente.
Uma sobrevivente identificada como Roberta relatou à imprensa que trabalhava e dormia no local "desde segunda-feira", e explicou que o fogo veio "do andar debaixo, então não tinha como a gente descer".
Os trabalhadores "não tinham obrigação de dormir" na fábrica, mas "muitos moravam longe" e o faziam para "evitar perder tempo e dinheiro" em viagens, garantiu à AFP José Ricardo Braz Santos, um funcionário de limpeza de 42 anos que prestava serviços à fábrica.
"Ainda escuto na minha cabeça as vozes das pessoas gritando", contou Santos, que se deparou com o local em chamas ao chegar para trabalhar e ajudou vários funcionários a saírem.
O Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro ordenou a investigação das condições de trabalho na fábrica.
"A gente não sabe nem quantos lugares parecidos com esse existem nesse momento, fazemos esse alerta", disse Paes aos jornalistas. A origem do incêndio está sendo investigada.
A associação das escolas de samba da Série Ouro, a Liga RJ, informou no Instagram que as agremiações afetadas pelo incêndio vão desfilar fora de competição, sem possibilidade de subir ou cair.
Este ano, os desfiles no Sambódromo começam em 28 de fevereiro e 1º de março, com as escolas da Série Ouro, seguem com as do Grupo Especial, entre 2 e 4 de março, e terminam em 8 de março, com a apresentação das campeãs.
- 'A gente tem que se reerguer' -
As agremiações Império Serrano, Unidos da Ponte e Unidos de Bangu, da Série Ouro, foram as mais prejudicadas pelo incêndio.
Paes anunciou na rede social X que as escolas afetadas "não serão rebaixadas do carnaval desse ano. Havendo possibilidade de desfilar, as três serão consideradas hors-concours".
"Tenha certeza de que no dia 1º de março o Império Serrano entrará na avenida como se fosse disputando o título, mas mostrando ao povo do Rio de Janeiro que o Império resiste a esses intempéries", declarou à AFP Paulo Santi, superintendente de carnaval da escola, que teve quase todas as suas fantasias queimadas.
Um grande incêndio abalou o Carnaval carioca em 2011, quando várias escolas perderam seus barracões na Cidade do Samba, um conjunto de galpões e depósitos onde o material é trabalhado e armazenado.
W.Moreno--AT