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Incêndio em fábrica de fantasias no Rio fere 21 na reta final para o Carnaval
Um incêndio em uma fábrica que produzia fantasias para o Carnaval do Rio de Janeiro em condições "precárias" deixou pelo menos 21 pessoas feridas nesta quarta-feira (12), doze delas em "estado grave", um golpe para a festa popular que começa em menos de um mês.
Os trabalhadores da fábrica Maximus corriam contra o tempo nos últimos dias para terminar os adereços de várias escolas de samba que desfilam no fim do mês na Marquês de Sapucaí.
Bombeiros subiram em escadas até uma janela onde os funcionários da fábrica, de 500 metros quadrados, no bairro de Ramos, zona norte da cidade, pediam ajuda, segundo imagens transmitidas pela mídia.
A área foi isolada pelas autoridades, enquanto os bombeiros tentavam controlar o fogo, constatou a AFP. Um cheiro de plástico queimado podia ser sentido na região inclusive horas depois do incidente.
Ao todo, 21 pessoas foram hospitalizadas, informou à AFP um porta-voz do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, explicando que foram retirados do local 12 feridos em "estado grave".
A secretária estadual de Saúde, Cláudia Mello, disse que oito pacientes estão "entubados, em respiração artificial".
- "Dormindo" no local -
O coronel Luciano Pacheco Sarmento, chefe do Corpo de Bombeiros, denunciou que as vítimas trabalhavam "de forma precária" e "sem condições de segurança".
Segundo ele, havia "muitos materiais de alta combustão, como plásticos, papéis" no edifício, que "não possui esse estado de aprovação do corpo de bombeiros".
Sarmento também indicou que já havia ocorrido incêndios na fábrica anteriormente.
Uma sobrevivente identificada como Roberta relatou à imprensa que trabalhava e dormia no local "desde segunda-feira", e explicou que o fogo veio "do andar debaixo, então não tinha como a gente descer".
O Ministério Público do Trabalho do Rio pediu a abertura urgente de uma investigação preliminar sobre as condições de trabalho na fábrica.
As causas do incêndio são desconhecidas até o momento.
- Reunião de urgência -
A associação das escolas de samba da Série Ouro, a Liga RJ, expressou sua "profunda preocupação" com o bem-estar dos feridos e informou que o prédio abrigava a Fábrica Maximus, "um espaço essencial para o Carnaval carioca".
"O impacto deste incidente atinge diretamente o planejamento do Carnaval e toda a cadeia produtiva envolvida na sua realização", informou em uma publicação no Instagram.
"A Liga RJ convocará, com urgência, seus presidentes para uma Assembleia Geral Extraordinária a fim de avaliar a situação", antecipou o comunicado.
Este ano, os desfiles no Sambódromo começam em 28 de fevereiro e 1º de março, com as escolas da Série Ouro, seguem com as do Grupo Especial, entre 2 e 4 de março, e terminam em 8 de março, com a apresentação das campeãs.
- "A gente tem que se reerguer" -
As agremiações Império Serrano, Unidos da Ponte e Unidos de Bangu, da Série Ouro, foram as mais afetadas pelo incêndio.
"Foi um incêndio de grandes proporções, destruiu as fantasias. A gente tem que se reerguer", disse Quitéria Chagas, rainha de bateria do Império Serrano, em um vídeo postado no Instagram.
"Tenha certeza que no dia 1º de março o Império Serrano entrará na avenida como se fosse disputando o título, mas mostrando ao povo do Rio de Janeiro que o Império resiste a esses intempéries", declarou à AFP Paulo Santi, superintendente de carnaval da escola.
O Carnaval do Rio já sofreu um grande incêndio em 2011, quando várias escolas perderam seus barracões na Cidade do Samba, um imenso conjunto de galpões e depósitos onde o material é trabalhado e armazenado.
G.P.Martin--AT