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Ano de 2024 foi o mais letal para a imprensa, com 124 mortos, a maioria em Gaza (CPJ)
Com 124 jornalistas mortos em 18 países - 70% deles em Gaza - 2024 entrará para a História como o ano mais letal para a imprensa desde que começaram os registros, segundo relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), publicado nesta quarta-feira (12).
Os números "refletem o aumento dos conflitos internacionais, a agitação política e a criminalidade em todo o mundo", informou com o CPJ, detalhando que estas cifras representam um aumento de 22% em relação a 2023.
Os autores do relatório revelaram que 85 profissionais de comunicação morreram "nas mãos do exército israelense". Oitenta e dois deles eram palestinos e morreram na Faixa de Gaza, e os outros três, no Líbano.
"Atualmente, este é o momento mais perigoso para ser jornalista na história do CPJ", disse, em nota, a diretora-executiva da organização, Jodie Ginsberg.
"A guerra em Gaza não tem procedentes em seu impacto para os jornalistas e demonstra uma importante deterioração das normas mundiais sobre a proteção da imprensa em zonas de conflito, mas está longe de ser o único lugar onde os jornalistas estão em perigo", acrescenta.
Outros 16 países integram a lista mortal: Sudão e Paquistão tiveram seis jornalistas mortos cada um. No país asiático, estas foram as primeiras mortes registradas por esta organização desde 2021.
No México, que continua tendo a fama de ser um dos países mais perigosos para profissionais de imprensa, cinco repórteres foram assassinados, três a mais que em 2023. O CPJ encontrou falhas persistentes nos mecanismos que deveriam proteger os jornalistas neste país, lamentou a organização.
Também na América Latina, Colômbia e Honduras registraram um jornalista assassinado cada, além do Haiti, onde dois profissionais de comunicação morreram nas mãos das gangues violentas que semeiam o caos no país caribenho e que reivindicam abertamente ataques a estes profissionais.
Também integram a lista a Síria (4), Mianmar (3), Iraque (3), Índia (1), Bangladesh (1), Nigéria (1), Moçambique (1), Ucrânia (1) e Rússia (1).
- "Ataques em todo o mundo" -
"Nossas cifras mostram que os jornalistas sofrem ataques em todo o mundo", explicou Ginsberg.
O CPJ registra as mortes de jornalistas se tiver "motivos razoáveis" para acreditar que podem ter sido assassinados por seu trabalho: acidentalmente, em uma missão perigosa ou deliberadamente.
O aumento dos homicídios no setor faz parte, segundo Ginsberg, "de uma tendência mais ampla para amordaçar os meios de comunicação em todo o mundo".
"Trata-se de um problema que deveria preocupar a todos nós porque a censura nos impede de abordar a corrupção e a delinquência, e cobrar dos poderosos", lembra.
O CPJ, que começou a fazer este tipo de registros em 1992, destacou que pelo menos 24 jornalistas foram assassinados deliberadamente por fazerem seu trabalho.
Em Gaza e no Líbano, a organização de defesa da imprensa documentou dez casos de jornalistas assassinados pelo exército israelense, em um desafio à legislação internacional que os protege em conflitos.
- "Desprotegidos" -
Os mais desprotegidos são os colaboradores ou freelancers, que trabalham com menos recursos e um risco considerável para sua própria segurança. Eles representaram mais de 35% (43) de todas as vítimas de assassinatos, segundo a organização.
No total, 31 colaboradores que perderam a vida no ano passado eram palestinos que trabalhavam em Gaza, onde os meios de comunicação internacionais seguem tendo acesso proibido.
Mas 2025 não se apresenta muito melhor: nas primeiras semanas do ano pelo menos seis profissionais de comunicação perderam a vida, segundo o CPJ.
H.Gonzales--AT