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Ativista detida na Venezuela tem fratura sem tratar há 4 meses, diz advogado
A ativista de direitos humanos Rocío San Miguel, detida e acusada de terrorismo na Venezuela, fraturou um ombro há quatro meses e não havia recebido atendimento médico até a última quinta-feira, disse nesta terça (10) à AFP sua defesa, ao indicar que precisa ser operada.
"Isso aconteceu há aproximadamente quatro meses, após uma queda na sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional" (Sebin), onde está reclusa, em Caracas, disse por telefone o advogado Juan González Taguaruco.
"Ela não recebeu atendimento médico até o dia 5 de dezembro, quando, diante da observação médica de uma deformidade no ombro, se diagnostica após estudos de imagem, uma fratura [...] O ideal é que seja liberada, para que possa ser operada por um médico de sua confiança e faça a reabilitação em liberdade", acrescentou.
Especialista em temas militares e diretora da ONG Control Ciudadano, Rocío foi detida há dez meses após ser vinculada pelas autoridades com um suposto plano para assassinar o presidente Nicolás Maduro.
Ela está detida no Helicoide, a temida prisão do serviço de inteligência que organizações de direitos humanos classificam como "centro de tortura".
A advogada estava no aeroporto internacional Simón Bolívar, que serve a Caracas, quando foi detida. Ela estava prestes a embarcar em um voo junto com sua filha, que foi detida brevemente.
Outros cinco familiares também foram detidos, mas apenas Rocío e seu ex-marido, o coronel reformado Alejandro Gonzales, permaneceram presos.
Desde então, seus advogados de confiança não tiveram acesso a ela e apenas sua filha pôde visitá-la.
Após o tombo, a advogada recebeu apenas "analgésicos" e, como consequência, tem sofrido de "labirintite -- uma doença que afeta o equilíbrio --" e problemas auditivos, segundo o advogado. A situação era "conhecida pela administração do lugar de reclusão e o tribunal", acrescentou.
Nas redes sociais circulam imagens de Rocío San Miguel, com um rosto cansado e abatido, recebendo atendimento em um consultório médico.
Meios de comunicação locais também afirmam que a ativista será operada, mas o advogado desconhece por ora se a operação será efetivamente realizada.
Sua filha "a viu hoje. Soube que estava sendo operada pelo que viu na mídia", apontou.
W.Stewart--AT