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Promotores pedem pena capital para homem que passou 46 anos no corredor da morte no Japão
Promotores japoneses solicitaram nesta quarta-feira (22) a pena de morte em um novo julgamento contra Iwao Hakamada, um ex-boxeador conhecido como o detento que passou mais tempo no corredor da morte, antes de sua libertação em 2014.
Hakamada, de 88 anos, passou quase cinco décadas no corredor da morte depois de ser condenado em 1968.
O ex-boxeador, que era funcionário de uma fábrica de missô, foi acusado por quatro assassinatos, do seu chefe, da esposa deste e dos filhos do casal.
Ele foi liberado em 2014 e um novo julgamento foi ordenado devido às dúvidas sobre as evidências que motivaram a condenação.
O caso de Hakamada e a longa saga judicial viraram um símbolo e um argumento para os defensores da abolição da pena de morte no Japão.
Hakamada confessou crime após semanas de interrogatórios brutais. Mas depois ele se retratou e, desde então, alega inocência.
Os advogados dizem que é provável que as evidências que o incriminaram tenham sido plantadas pela polícia ou pelos investigadores para justificar a prisão e a condenação.
"Acredito que Iwao é inocente", declarou sua irmã Hideko Hakamada, 91 anos.
Os promotores só pedem a pena de morte "por uma questão processual" e a argumentação da equipe de defesa foi "tão sólida que tenho certeza que eles vencerão".
O novo julgamento começou no ano passado e o tribunal deve anunciar o veredicto no final de setembro.
Japão e Estados Unidos são as únicas democracias industrializadas com a pena de morte.
Hakamada afirmou que as décadas que passou na prisão, a maior parte do tempo em isolamento e sempre com a ameaça de ser executado, provocaram um grave impacto em sua saúde mental.
Em uma entrevista à AFP em 2018, ele declarou sentir que "cada dia era uma luta".
M.Robinson--AT