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Expurgo por 'traição' nas Forças Armadas venezuelanas, principal pilar de Maduro, tem 33 prisões
Um total de 33 militares venezuelanos foram rebaixados ou expulsos das Forças Armadas por seu suposto vínculo com as "conspirações" de magnicídio denunciadas pelas autoridades esta semana, uma medida questionada por especialistas e na mira dos Estados Unidos.
Um general de divisão, dois coronéis, seis tenentes-coronéis, nove majores, dois capitães, sete primeiros-tenentes e sete sargentos foram identificados com nome e sobrenome em um comunicado.
Estes oficiais estão supostamente "envolvidos em conspirações mediante o planejamento de ações criminosas e terroristas para atentar contra o sistema de governo legitimamente constituído, as autoridades e instituições do Estado e o povo venezuelano, contemplando, inclusive, o assassinato do primeiro mandatário nacional, que representam 'Atos de Traição à Pátria'", indicou o ministro da Defesa, Vladimir Padrino.
"Esses traidores, que nunca deveriam ter tido ou usado o uniforme militar (...), não são dignos", disse Padrino em um vídeo publicado em suas redes sociais. "São grupos que não representam as Forças Armadas de forma alguma".
Os militares são o principal sustentáculo do governo do presidente Nicolás Maduro e em repetidas oportunidades lhe reafirmaram lealdade.
Controlam, além das armas, empresas de mineração, petróleo e distribuição de alimentos, assim como as alfândegas e importantes ministérios.
A oposição e ONGs denunciam redes de corrupção que enriqueceram muitos oficiais.
- "Penas acessórias" -
As denúncias de magnicídio são frequentes no chavismo, que completa 25 anos no poder este ano e joga sua continuidade em eleições que ainda não têm data. O Ministério Público venezuelano anunciou na segunda-feira a prisão de 32 pessoas, entre civis e militares, por essas supostas conspirações, e, na terça-feira, registrou novas prisões sem revelar o número de detidos.
Eles são vinculados a cinco supostos planos para assassinar Maduro, revelados em 2023 e no início deste ano, segundo o procurador-geral Tarek William Saab, que também denunciou a cumplicidade da agência antidrogas (DEA) e de inteligência (CIA) dos Estados Unidos, assim como atores do Exército colombiano.
Padrino repercutiu estas acusações.
"Eu digo aos esgotos imperiais da CIA, a DEA, que aqui são usados pelos traidores venezuelanos: não nos cansaremos de lutar", disse ele no vídeo.
Rocío San Miguel, especialista militar e habitualmente crítica do governo, identificou irregularidades no ato de rebaixamento e expulsão, que foi realizado no Pátio de Honra do ministério.
Ela explicou que as medidas são "penas acessórias" a uma pena principal, que deve ser pública. "Estão sujeitas a controle jurisdicional e devem cumprir as disposições previstas no Código Orgânico da Justiça Militar", insistiu em uma nota de sua ONG, Controle Cidadão.
"São vários os aspectos que se desconhecem sobre essas expulsões e rebaixamentos de efetivos militares".
- "Posicionamento cúmplice -
Por sua vez, os Estados Unidos mostraram-se "profundamente preocupados" com as últimas prisões, que, segundo a Casa Branca, ocorreram com motivos "pouco críveis".
"As prisões sem o devido processo legal vão contra o espírito do acordo de roteiro eleitoral de outubro de 2023", disse na terça-feira o porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Muller.
Ele refere-se ao acordo assinado pela oposição e o governo venezuelano em Barbados para celebrar as eleições presidenciais no segundo semestre deste ano com observação internacional. Em troca, Washington flexibilizou um duro embargo ao petróleo venezuelano.
A Venezuela rejeitou "categoricamente" o "cínico" comunicado. "O governo dos Estados Unidos da América perdeu a bússola moral" ao "condenar a Venezuela por tomar ações (...) para preservar a paz".
"Não surpreende que Washington advogue a favor dos artífices das operações terroristas frustradas na Venezuela e que inclusive lhes ofereça um posicionamento cúmplice", acrescentou. "Defender essas ações desestabilizadoras fomenta a violência e atenta contra o normal desenvolvimento do processo eleitoral de 2024".
M.Robinson--AT