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Autor de atentado em Paris 'assume' os atos e diz ter agido 'sozinho'
O homem radicalizado que esfaqueou até a morte um turista em Paris, perto da Torre Eiffel, no sábado, "assume e reivindica plenamente o seu gesto", informou, nesta segunda-feira (4), uma fonte próxima da investigação, especificando que "tudo sugere que ele agiu sozinho".
Armand Rajabpour-Miyandoab – um franco-iraniano de 26 anos que recentemente jurou lealdade ao Estado Islâmico – também afirmou durante a sua detenção que agiu em "reação à perseguição de muçulmanos em todo o mundo".
Ele parece "muito frio" e "clínico", acrescentou esta fonte.
A mãe do agressor havia manifestado preocupação no final de outubro com o comportamento do seu filho, autuado por radicalização e libertado em 2020 após cumprir pena de cinco anos de prisão por um projeto de ação violenta. Ele havia sido submetido a uma ordem de tratamento médico.
"Houve claramente uma falha psiquiátrica, os médicos consideraram em diversas ocasiões que ele estava melhor", disse o ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, à BFMTV.
O ataque ocorreu perto da Torre Eiffel na noite de sábado, poucos meses antes dos Jogos Olímpicos de Paris e no momento em que o país permanece em alto nível de alerta devido ao aumento das tensões pela guerra entre Israel e Hamas.
Em um vídeo, Rajabpour-Miyandoabun disse, em árabe, que estava prestando "seu apoio aos jihadistas que operam em diversas áreas", disse o promotor antiterrorismo Jean-François Ricard no domingo.
A sua conta na rede social X incluía "inúmeras publicações sobre Hamas, Gaza e, de forma mais geral, sobre a Palestina", acrescentou.
- Transtornos psiquiátricos -
O turista assassinado, de 23 anos e de nacionalidade alemã e filipina, recebeu "duas marteladas e quatro facadas", disse a mesma fonte.
Rajabpour-Miyandoabun também atacou com um martelo dois homens, um francês de 60 anos e um britânico de 66, ambos com ferimentos leves.
A polícia usou uma arma de choque para imobilizá-lo.
Segundo uma fonte próxima à investigação, o agressor disse que decidiu realizar o ataque perto da Torre Eiffel porque é um "lugar simbólico" e "não podia suportar que estivesse iluminada com as cores de Israel".
A mãe do agressor havia informado às autoridades que estava preocupada com o comportamento do filho, segundo o promotor.
Os serviços policiais tentaram fazer com que ele fosse reexaminado por um médico e hospitalizado, mas isso não foi possível porque não havia transtornos, disse uma fonte próxima ao caso. Poucos dias depois desta notícia, a mulher disse que ele "estava melhor", segundo a mesma fonte.
"Originário de uma família sem compromisso religioso", Rajabpour-Miyandoab converteu-se ao islã aos 18 anos, em 2015, e "muito rapidamente" recorreu à "ideologia jihadista", segundo o promotor.
"A criação desta conta na rede X no início de outubro, e a preocupação da mãe no mesmo mês, podem nos fazer pensar em um ato preparado há várias semanas", analisou outra fonte próxima ao caso.
Os investigadores agora se concentrarão no acompanhamento médico do agressor, um homem com um "perfil muito instável e muito influenciável", disse uma fonte de segurança à AFP.
Durante sua detenção, segundo Ricard, ele foi submetido a acompanhamento psiquiátrico rigoroso e controlado por um médico coordenador. "Esse monitoramento foi efetivo até o fim de sua análise, em 26 de abril de 2023", acrescentou.
O agressor e outra pessoa de seu entorno permaneciam sob custódia policial na tarde desta segunda. O franco-iraniano poderá permanecer detido até a noite de quarta-feira devido à investigação antiterrorista.
Cerca de 5.200 pessoas estão radicalizadas na França, das quais 1.600 são especialmente monitoradas pela Direção-Geral de Segurança Interna (DGSI), segundo uma fonte do serviço de informação, que especifica que 20% destas 5.000 pessoas sofrem de transtornos psiquiátricos.
R.Garcia--AT