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Americano é condenado a 90 penas de prisão perpétua por assassinar 23 pessoas no Texas
Um jovem branco de ideologia supremacista que baleou e matou 23 pessoas, a maioria latino-americana, em El Paso, no Texas, foi condenado a 90 penas prisão perpétua nesta sexta-feira(7). Ele ainda pode enfrentar uma pena de morte.
Em fevereiro, Patrick Crusius, de 24 anos, se declarou culpado à Justiça Federal das acusações de crime de ódio relacionadas ao ataque de 3 de agosto de 2019 em um supermercado da rede Walmart. Crusius ainda será julgado pelo estado do Texas(sul), o qual não descarta uma pena de morte.
"Ninguém neste país deve viver com medo da violência alimentada pelo ódio, de ser atacado por sua aparência ou sua origem", disse, em nota, o procurador-geral dos Estados Unidos, Merrick Garland.
O atirador dirigiu por cerca de 1.060 quilômetros de Allen, perto de Dallas, até o supermercado em El Paso, fronteira entre Estados Unidos e México, portando um fuzil de assalto e 1.000 cartuchos de munição. Ele abriu fogo contra um grupo de pessoas no estacionamento, matando 23 e ferindo 22.
"Que bom que isto acabou. Nada que ele disser vai trazer meu filho de volta", disse à imprensa Francisco Rodríguez, pai de um adolescente de 15 anos assassinado no massacre, após a decisão do tribunal federal.
Segundo a acusação federal, antes do ataque, Crusius publicou na internet um documento intitulado "A verdade inconveniente", no qual disse que sua ação "foi uma resposta à invasão latina do Texas". Disse que estava defendendo seu país da "substituição cultural e étnica", um conceito dos supremacistas brancos que sustenta que outros grupos étnicos estão "substituindo" a população.
Quando a polícia chegou, ele saiu de seu carro e se identificou como o atirador. Enquanto estava sob custódia, Crusius declarou que queria matar "mexicanos". O massacre inflamou o debate sobre como as repetidas críticas do então presidente Donald Trump (2017-2021) aos imigrantes influenciaram no comportamento de pessoas que o apoiavam.
Joe Spencer, advogado do acusado, disse à imprensa que seu cliente não é racista, mas uma pessoa com problemas mentais.
O ataque de Crusius foi o quinto tiroteio massivo mais mortal na história dos Estados Unidos. Ocorreu dois anos depois que um homem matou 58 pessoas a tiros em um show em Las Vegas e três anos depois que um homem assassinou 49 pessoas em uma boate da comunidade LGBTQ+ em Orlando, Flórida.
A.O.Scott--AT