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Crescimento de energias renováveis supera o dos combustíveis fósseis, apesar dos EUA
As energias renováveis continuam crescendo mais rapidamente do que os combustíveis fósseis em todo o mundo, apesar das mudanças nas políticas dos Estados Unidos, com uma possível estabilização da demanda por petróleo "até 2030", afirmou a Agência Internacional de Energia (AIE) nesta quarta-feira (12).
As energias renováveis, impulsionadas pela energia solar fotovoltaica, "crescem mais rápido do que qualquer outra fonte maior de energia, em todos os cenários" apresentados pela AIE em seu relatório anual sobre as perspectivas da energia mundial.
No relatório, a AIE apresenta três cenários futuros para o setor energético global: um baseado nas políticas atuais dos países, outro que inclui as medidas que devem ser tomadas para que o mundo alcance a neutralidade de carbono até 2050 e um terceiro que consiste em uma média com medidas já anunciadas pelos governos.
Neste último cenário, seguindo as mudanças políticas anunciadas, os Estados Unidos teriam 35% menos capacidade de energias renováveis até 2035 em comparação com as projeções do relatório de 2024.
"Mas, globalmente, as energias renováveis continuam sua rápida expansão", afirmou a AIE.
A China continua sendo o principal mercado e fabricante, garantindo entre 45% e 60% da implantação nos próximos dez anos, independentemente dos cenários considerados.
Por outro lado, os cenários divergem em relação à distribuição de energias.
No cenário médio, a demanda por carvão atinge seu pico e a de petróleo se estabiliza por volta de 2030.
Enquanto isso, a demanda por gás natural deverá continuar crescendo ao longo da década de 2030, contrariando previsões anteriores, devido a novas políticas nos EUA e à queda dos preços.
- Tempos de COP30 -
No cenário mais conservador, baseado estritamente nas políticas atuais, a demanda por carvão começa a declinar antes do final desta década, mas a demanda por petróleo e gás continua crescendo até 2050.
Nesse cenário, o aquecimento ultrapassará os 2°C por volta de 2060 e 2,5°C em 2100, e continuará aumentando depois disso, afirma o documento.
O relatório foi divulgado enquanto líderes mundiais se reúnem em Belém do Pará para a COP30, a cúpula climática boicotada pelo governo do presidente americano, Donald Trump.
Trump, que retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre a redução das emissões que causam o aquecimento global, pretende aumentar a produção de petróleo e gás e reverter as políticas de energia limpa de seu antecessor, Joe Biden.
O cenário político atual "tem motivações completamente políticas", disse Rachel Cleetus, diretora de políticas da União de Cientistas Preocupados, a jornalistas em Belém.
"O governo Trump, infelizmente, adotou políticas ruins nos Estados Unidos e tentou minar políticas em todo o mundo", acrescentou.
A AIE "confirmou que nenhum país sozinho pode deter a transição energética", disse David Tong, gerente global de campanhas do setor na ONG Oil Change International.
"Mas o relatório deste ano também destaca o futuro distópico de Donald Trump, que traz de volta o antigo cenário político, intenso em combustíveis fósseis e altamente poluente", acrescentou Tong.
M.White--AT