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ONU Clima insta G20 a reagir ao aquecimento global, que 'dizimará suas economias'
O G20, fórum integrado por vinte países desenvolvidos e em desenvolvimento, não pode "deixar de lado" a mudança climática "que dizimará" suas economias, advertiu, nesta quarta-feira (10), em Londres, o secretário da agência ONU Clima, Simon Stiell.
"Necessitamos de um novo acordo para o financiamento da luta contra a mudança climática entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento", declarou em discurso na Chatham House, organização não governamental também conhecida como Instituto Real de Assuntos Internacionais.
"Culpar uns aos outros não é estratégico" e "deixar de lado o clima não é solução para uma crise que dizimará todas as economias do G20 e que já começou a causar danos", acrescentou o secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) em seu discurso, "Dois anos para salvar o mundo".
Em 1º de março, os ministros das Finanças dos países do G20 concluíram sua reunião em São Paulo sem chegar a um acordo sobre um comunicado conjunto devido a divergências sobre as guerras na Ucrânia e em Gaza.
Stiell destacou o papel do Brasil, que sediará a COP30 em 2025, em Belém do Pará.
"O Brasil, que também sediará a COP30, tem um papel vital para colocar em marcha a ambiciosa ação que necessitamos. Estou animado que o G20, sob a liderança do Brasil, esteja explorando formas de encontrar novos financiamentos para o clima e o desenvolvimento", indicou.
- Avanços esperados em 2024 -
Desbloquear os bilhões de dólares necessários para a transição energética e adaptação das economias em desenvolvimento ao aquecimento global é tema central das negociações internacionais sobre o clima em 2024, tanto com vistas à COP29, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será celebrada em novembro em Baku, como nas reuniões do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, em meados de abril.
"O potencial financeiro que o G20 mobilizou durante a crise global (em 2008) deveria ser redistribuído e direcionado à redução das emissões descontroladas e a aumentar a resistência agora", acrescentou Stiell.
A liderança do G20, responsável por 80% das emissões da humanidade, "deve estar no centro da solução, como esteve durante a grande crise financeira", acrescentou Stiell.
Os países de todo o mundo devem aumentar suas metas de redução de gases de efeito estufa, atualmente insuficientes para limitar o aquecimento a 1,5°C, conforme o Acordo de Paris, lembrou o funcionário da ONU.
Simon Stiell destacou, ainda, o "papel absolutamente crucial" do G7, o grupo dos sete países mais industrializados do mundo, "como principais acionistas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional".
"Avanços reais no financiamento da luta contra a mudança climática são um pré-requisito para que os países em desenvolvimento elaborem novos e ousados planos nacionais para enfrentar as mudanças climáticas, sem os quais todas as economias, incluindo as do G7, em breve encontrarão obstáculos sérios e permanentes", disse o principal líder climático da ONU.
Em sua opinião, "temos que definir um novo objetivo para o financiamento da luta contra a mudança climática" na COP29 de Baku.
Em seu discurso, Stiell indicou que esse acordo deve contar com mais financiamentos favoráveis aos países mais pobres e vulneráveis e novos aportes internacionais para o clima.
Incluiu ainda, como outro dos passos para chegar a este acordo, aliviar a dívida dos países mais necessitados para que disponham de margem fiscal para investir no clima.
O.Gutierrez--AT