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Incêndio paralisa COP30 em sua reta final
Um incêndio atingiu nesta quinta-feira (20) parte do local onde acontece a COP30, em Belém, o que levou à sua evacuação e atrasou as negociações entre ministros, na véspera do encerramento da reunião.
O fogo teve início na área de acesso restrito onde acontece a conferência climática da ONU, que foi palco de três incidentes em poucos dias.
As chamas abriram um buraco no teto, na área onde ficam os pavilhões de países e organizações, observou um jornalista da AFP.
A fumaça se espalhou dentro e fora do local, causando um movimento de pânico inicial. Minutos depois, a organização brasileira da COP30 informou que o incêndio havia sido controlado, sem deixar feridos. Treze pessoas foram tratadas devido a intoxicação por fumaça, segundo os organizadores.
"Houve pessoas em estado de estresse emocional", disse Kimberly Humphrey, especialista em medicina de emergências e participante da COP.
A ONU avisou às delegações que a área afetada permanecerá fechada pelo menos até as 20h, e ressaltou que o fogo havia sido controlado e que os danos eram limitados.
Antes da chegada dos bombeiros, equipes da segurança do Brasil e da ONU recorreram a extintores para tentar conter o fogo. Milhares de participantes da conferência aguardaram do lado de fora, sob uma leve chuva, que se misturava ao cheiro de plástico queimado.
Uma testemunha do incêndio disse à AFP que nenhum alarme foi acionado. "Nunca antes houve em uma COP um incêndio dessa magnitude, que exigisse uma evacuação em grande escala", destacou Alden Meyer, analista do think tank E3G.
Vários participantes da COP30 relataram que sistemas de fiação elétrica já haviam causado problemas nos últimos dias. A AFP também havia observado infiltrações após fortes chuvas na cidade.
"As dificuldades operacionais pouco antes da COP sugeriam que um incidente desse tipo poderia acontecer", disse à AFP uma fonte da organização, que não quis ser identificada.
- 'Em qualquer lugar' -
"Um certo número de pacientes inalaram fumaça, precisaram de oxigênio e tiveram que ser transferidos para o hospital", disse à AFP a paramédica Kimberly Humphrey, que participa do evento com a Doctors for the Environment Australia.
O fogo começou quando ministros de todo o mundo participavam de negociações sobre temas como transição energética e financiamento climático, na véspera do encerramento do evento.
O negociador-chefe do Brasil, Mauricio Lyrio, disse à AFP que estava assinando um acordo com um país quando a evacuação começou. "Isto vai atrasar o processo" em "um momento crucial" de tomada de decisões, advertiu o delegado da Indonésia Windyo Laksono, do lado de fora do recinto.
O ministro do Turismo, Celso Sabino, disse na TV que um curto-circuito ou um celular carregando podem ter causado o incêndio, que poderia ter acontecido "em qualquer lugar do mundo", ressaltou.
Quase toda a estrutura da COP30 foi montada sob grandes tendas. A escolha de Belém para sediar a conferência impôs uma série de desafios logísticos ao governo do país.
Após uma crise causada pelos altos custos de hospedagem, a presidência brasileira da COP recebeu na semana passada uma queixa da ONU, depois que um grupo indígena forçou o dispositivo de segurança durante um protesto. No documento, o chefe da ONU para o Clima, Simon Stiell, reclamava da segurança, mas também de vazamentos de água, que, segundo o governo brasileiro, foram corrigidos.
Dias depois, outro grupo indígena conseguiu se reunir com autoridades brasileiras, após bloquear o acesso ao centro de negociações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a incluir ontem na agenda a questão sensível do abandono dos combustíveis fósseis. Lula promove um "mapa do caminho" para alcançar esse objetivo que permita a cada país avançar em seu próprio ritmo.
Segundo um negociador, que preferiu não ser identificado, China, Índia, Arábia Saudita, Nigéria e Rússia se opuseram hoje a essa alternativa, durante as consultas.
Enquanto aguardava a reabertura do local, um observador da COP30 se mostrava contrariado. "O que estamos discutindo aqui? O que vai acontecer com o futuro da humanidade. Não faz sentido estarmos falando sobre esse fogo", disse Martí Orta, professor de ciências ambientais da Universidade de Barcelona.
B.Torres--AT