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Sem Trump, Lula abre a COP30 com apelo contra o negacionismo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo, nesta segunda-feira (10), para que se imponha uma "nova derrota para os negacionistas", ao inaugurar a COP30, em Belém. A conferência climática da ONU é realizada pela primeira vez com a ausência dos Estados Unidos, o segundo maior contaminante mundial.
O cheiro de combustíveis fósseis que recebeu os negociadores da COP29 em Baku, no Azerbaijão, em 2024, deu lugar este ano à umidade da floresta. O objetivo da cúpula de Belém é salvar os esforços mundiais no combate ao aquecimento global.
"É o momento de impor uma nova derrota aos negacionistas", disse o presidente no discurso inaugural do evento, no qual ressaltou que é "muito mais barato" combater as mudanças do clima do que travar guerras, acrescentou, em alusão aos conflitos atuais no planeta, como o da Ucrânia.
Os Estados Unidos, primeira economia mundial e segundo maior emissor de gases de efeito estufa, atrás da China, se ausentaram em Belém: o presidente americano, Donald Trump, considera o aquecimento global como a "maior fraude" da história.
Vários líderes mundiais, como o presidente francês, Emmanuel Macron, pediram na semana passada, durante uma cúpula prévia à COP, que se defenda "a ciência frente à ideologia".
Esta será "uma das COP mais difíceis", resumiu Bill Hare, presidente do 'think tank' Climate Analytics. Ele cita "o contexto geopolítico, com os Estados Unidos em modo de negação climática".
- Conhecer a Amazônia -
A sessão plenária da COP30 começou ao ritmo da música brasileira: a ministra da Cultura, Margareth Menezes, cantou e dançou "Emoriô", canção escrita por Gilberto Gil, ao lado de Fafá de Belém.
Lula resistiu a todas as objeções para realizar a COP em Belém, que receberá cerca de 50.000 pessoas durante o evento, apesar da falta de hotéis e da disparada de preços das acomodações.
Sua intenção é que o mundo abra os olhos diante da Amazônia e que os participantes da COP30 mergulhem na vida de Belém, uma cidade onde os moradores usam sombrinhas para se proteger do sol pela manhã e da chuva à tarde.
A floresta amazônica, que desempenha um papel crucial no combate às mudanças climáticas pela absorção de gases do efeito estufa, sofre embates como o desmatamento e o garimpo ilegal.
Diplomaticamente, o Brasil prepara ativamente a COP30 há um ano.
Mas logisticamente, os trabalhos se estenderam até o último minuto e, nesta segunda-feira, operários retiravam as fitas de plástico do pavilhão justo a tempo da chegada das delegações.
- "Mapa do caminho" -
A maior incerteza sobre a mesa consiste em como o mundo vai reagir às últimas projeções desastrosas para o clima e, como sempre, à questão do dinheiro.
Como reunir as quantias necessárias para ajudar os países afetados por ciclones ou secas? O furacão Melissa, que varreu a Jamaica no mês passado, o mais violento em quase um século, é uma clara demonstração das necessidades.
Lula também propôs um "mapa do caminho" para sair progressivamente das energias fósseis, que será apresentado na terça-feira aos demais países, disse André Corrêa do Lago, presidente da COP30.
Esta promessa foi adotada na COP28, em Dubai, mas atualmente enfrenta um apoio renovado à indústria petroleira, especialmente desde a eleição de Trump.
"Vamos conseguir um consenso [sobre energias fósseis]? É um dos mistérios da COP30", admitiu no domingo Corrêa do Lago.
Há 30 anos, os países-membros da UNFCCC negociam para fortalecer o regime climático.
O esforço culminou com o Acordo de Paris, em 2015, que compromete o mundo a limitar o aquecimento 2° C e manter os esforços para contê-lo a 1,5° C com relação à era pré-industrial.
Mas o secretário-geral da ONU, António Guterres, agora admite que é "inevitável" que este limite seja ultrapassado em breve, e pede que seja feito o necessário para que isso dure o menor tempo possível.
Isto implica em reduzir as emissões de gases de efeito estufa, principalmente as causadas pela combustão de petróleo, gás e carvão.
"O 1,5°C não é apenas um número ou um objetivo, é uma questão de sobrevivência", disse à AFP Manjeet Dhakal, assessor do grupo de países menos desenvolvidos na COP. "Não poderemos apoiar nenhuma decisão que não inclua uma discussão sobre nosso fracasso em evitar o 1,5° C".
fbb-lg-app-ico/mar/mvv/aa
L.Adams--AT