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Presidente da Colômbia defende 'plano Marshall contra crise climática'
O presidente colombiano, Gustavo Petro, defendeu nesta quinta-feira (22), em Paris, perante a comunidade internacional, um "plano Marshall contra a crise climática", baseado na taxação das transações financeiras e na "troca da dívida por ação climática".
"A crise climática implica um grande plano Marshall global de investimentos" para obter fundos que "o capital privado daria apenas em uma escala limitada", disse Petro durante a Cúpula para um Novo Pacto Financeiro Mundial que vai até amanhã, na capital francesa.
O objetivo do evento é rever a arquitetura financeira internacional que nasceu com os acordos de Bretton Woods em 1944, quando a prioridade era reconstruir a Europa, para agora adaptá-la aos desafios do século XXI, como a mudança climática.
Os países em desenvolvimento consideram difícil ter acesso aos financiamentos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, necessários para enfrentar ondas de calor, secas e inundações, assim como para escapar da pobreza.
Para obter "maior receita" para "superar a crise climática", o presidente de esquerda propôs a adoção de um imposto "sobre as transações financeiras mundiais" e uma "redução", e não "perdão", da dívida pública.
"O que propomos é trocar dívida por ação climática. A experiência do FMI com a covid dá uma ideia do que se pode fazer hoje, na prática, que é uma emissão mundial de Direitos Especiais de Saque (DES)", frisou.
Em 2021, a comunidade internacional concordou com a emissão de DESs – uma moeda de reserva do FMI – de US$ 650 bilhões, dos quais US$ 33 bilhões iriam para países africanos (em torno de 3,09 trilhões de reais e 157 bilhões de reais, respectivamente, na cotação de hoje, R$ 4,76).
Os Estados-Membros quiseram ir mais longe, porém, e esse montante para os países em desenvolvimento chegou a 100 bilhões de dólares (476 bilhões de reais, na mesma cotação), redirecionando os direitos correspondentes aos países ricos. O FMI confirmou nesta quinta-feira que este objetivo foi alcançado.
Essas iniciativas “poderiam ser os fatores de grande poder que poderiam impulsionar a alavanca para, agora, sim, ativar uma diminuição real dos gases de efeito estufa na atmosfera”, enfatizou o presidente colombiano.
Petro propôs a criação de um grupo de especialistas que captem os cenários para reformar o sistema financeiro mundial, de olho na próxima cúpula do clima da ONU, a COP28, marcada para o final do ano em Dubai.
M.White--AT