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Anthropic processa o governo dos EUA por disputa sobre o uso de sua IA
A start-up de inteligência artificial (IA) Anthropic processou, nesta segunda-feira (9), várias agências do governo dos Estados Unidos em um tribunal federal da Califórnia para pedir a reversão de sanções impostas à empresa.
O Departamento de Defesa incluiu, na semana passada, a Anthropic em sua lista de empresas que representam um "risco" para a cadeia de suprimentos, depois que a companhia se recusou a autorizar o uso militar sem limites de seus modelos de IA Claude.
Na ação de 48 páginas, apresentada a um tribunal federal em San Francisco, a Anthropic solicita que essa designação seja revertida e declarada ilegal.
A empresa afirma no texto que desenvolveu sua IA para obter "resultados positivos para a humanidade" e para que seja "a mais segura e responsável".
"A Anthropic apresenta esta ação porque o governo federal adotou represálias à companhia por expressar esse princípio", acrescenta a companhia em sua petição.
A Anthropic é a primeira empresa americana considerada de "risco" pelo governo federal, uma classificação até então reservada a entidades de países concorrentes, como a gigante de tecnologia chinesa Huawei.
A designação exige que fornecedores e contratantes de defesa comprovem que não utilizarão os modelos da Anthropic em seus trabalhos com o Pentágono.
- "Consequências enormes" -
Fundada em 2021 pelos irmãos Dario e Daniela Amodei, ambos ex-funcionários da OpenAI, criadora do ChatGPT, a Anthropic se posicionou na corrida da inteligência artificial como uma alternativa focada em segurança.
"As consequências deste caso são enormes", afirma a ação, já que o governo "pretende destruir o valor econômico criado por uma das empresas privadas de crescimento mais rápido do mundo".
A disputa eclodiu no fim do mês passado, pouco antes do ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã que desencadeou a guerra no Oriente Médio, quando a Anthropic insistiu que sua tecnologia não poderia ser usada pelo Pentágono para tarefas de vigilância em grande escala ou sistemas de armas totalmente autônomos.
Donald Trump determinou que todas as agências federais parassem de usar a tecnologia da Anthropic.
Hegseth então colocou a empresa em sua lista de entidades de "risco para a cadeia de suprimentos da segurança nacional" e determinou que nenhum contratante, fornecedor ou parceiro militar "possa realizar qualquer atividade comercial com a Anthropic", ao mesmo tempo em que concede um período de transição de seis meses ao próprio Pentágono.
O conflito entre o Pentágono e a Anthropic surgiu poucos dias antes da ofensiva militar americana contra o Irã.
Claude é o modelo de IA de ponta mais amplamente utilizado pelo Pentágono e o único desse tipo que opera atualmente nos sistemas classificados do Departamento de Defesa.
Na ação judicial, a Anthropic afirma que as medidas adotadas contra a empresa excedem a autoridade legal do Pentágono e violam direitos constitucionais.
"A Constituição não permite que o governo utilize seu enorme poder para punir uma empresa por seu discurso", afirma o texto.
Th.Gonzalez--AT