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G77+China pede 'mudança nas regras do jogo' internacional
A reunião de cúpula G77+China, da qual participam mais de 100 países da Ásia, África e América Latina, que representam 80% da população mundial, pediu nesta sexta-feira (15), em Havana, uma mudança "nas regras do jogo" econômico internacional.
Cerca de 30 chefes de Estado e governo participam da reunião, que conta com a presença dos presidentes da Argentina, Colômbia e Venezuela, além de líderes de outras regiões, como Ásia e África, e de países árabes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à noite.
Ao abrir a cúpula, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, disse que, depois de "todo o tempo que o norte acomodou o mundo aos seus interesses, chegou a vez de o sul mudar as regras do jogo". Díaz-Canel ressaltou que a maioria das nações que integram o G77+China são vítimas da "atual crise multidimensional que o mundo sofre", dos "desajustes cíclicos do comércio, das finanças internacionais e do intercâmbio desigual abusivo", bem como dos efeitos das mudanças climáticas.
O presidente cubano condenou o que chamou de "arquitetura internacional hostil ao progresso" das nações do sul. Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu em seu discurso um mundo "mais representativo e que responda melhor às necessidades das economias em desenvolvimento".
- Desigualdade -
As nações do sul estão "enredadas em um emaranhado de crises mundiais", disse, ao considerar que "o mundo falhou com os países em desenvolvimento".
No encontro de Havana, que aborda "os desafios atuais de desenvolvimento: o papel da ciência, da tecnologia e da inovação", Guterres parabenizou Cuba pelo desenvolvimento de suas próprias vacinas durante a pandemia de covid-19.
O grupo, criado por 77 países em 1964, ampliou-se até somar 134 nações, enquanto a China participa de forma externa e é representada nesta cúpula por Li Xi, membro do comitê permanente do politburo do Partido Comunista da China.
Delegações de uma centena de países participam do encontro, entre eles Irã, Catar, Angola, Ruanda, Índia, Sri Lanka e Territórios Palestinos. O presidente argentino, Alberto Fernández, disse que a pandemia, entre outros fatores, marcou uma mudança de época, ao "expor a desigualdade" no acesso dos países às vacinas.
- Oportunidade -
Nesse sentido, Fernández considerou que o G77+China tem "uma ferramenta enorme, porque no sul global está aquilo do que o mundo central está precisando", como alimentos e o lítio da América do Sul, bem como a energia das nações árabes. "Temos uma oportunidade enorme de exigir igualdade."
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, propôs "uma negociação universal" para reduzir a dívida dos países pobres e dispor "de fundos públicos que nos permitam pagar a transição para a economia descarbonizada".
Para Cuba, a organização do evento atual representa uma oportunidade de desenvolver sua capacidade diplomática, apesar da crise que enfrenta devido à recuperação econômica lenta após a pandemia, ao reforço das sanções de Washington contra a ilha e a fragilidades estruturais em sua economia doméstica.
D.Lopez--AT