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Guerra no Oriente Médio 'não atende aos interesses comuns', denuncia Xi em reunião do Brics
O presidente da China, Xi Jinping, denunciou neste sábado (12), na cúpula do Brics na Índia, que a guerra do Oriente Médio desencadeada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã "não atende aos interesses comuns" do planeta.
O conflito no Oriente Médio é um dos grandes temas desta cúpula de dois dias em Nova Délhi, da qual participam os líderes de China, Índia, Rússia e Irã. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em campanha pela reeleição, enviou como chefe da delegação o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Esta guerra ganhou um novo contorno na sexta-feira, quando os rebeldes houthis do Iêmen, uma organização pró-iraniana e hostil a Israel, tomaram o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o oceano Índico ao mar Vermelho.
Um revés para a Arábia Saudita, rival destes insurgentes e que agora está encurralada, já que o Irã praticamente bloqueia o Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica. Mas também um desdobramento delicado para os interesses asiáticos, já que cargueiros rumo a Europa passam por Bab el-Mandeb.
Neste contexto, o presidente chinês afirmou na cúpula, segundo declarações divulgadas pela agência estatal Xinhua, que "à medida que a situação no Oriente Médio e no Golfo continua evoluindo, a guerra tem causado graves perdas aos povos da região". O conflito "não atende aos interesses comuns da comunidade internacional", prosseguiu Xi.
Pouco depois, os 11 membros do grupo emitiram uma declaração conjunta na qual pediram "a máxima prudência" no Oriente Médio e que "se evitem ações que possam agravar ainda mais a situação".
Também condenaram os "ataques deliberados contra infraestruturas civis e instalações nucleares pacíficas, sob plena salvaguarda do Organismo Internacional de Energia Atômica".
- "Não precisamos de um policial" -
Diante do gargalo formado em Ormuz, a Índia optou — com permissão dos Estados Unidos — por comprar petróleo russo, ignorando as pressões ocidentais.
Na reunião de Nova Délhi está presente o presidente Vladimir Putin, a quem o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, recebeu com um abraço na sexta-feira.
O mandatário iraniano Masud Pezeshkian aproveitou a cúpula para lançar outro dardo contra os Estados Unidos, quem enfrenta pelo status do Estreito de Ormuz, onde Teerã quer cobrar taxas a título de "serviços marítimos", algo que não acontecia antes da guerra.
"Não precisamos de um policial na região: a integridade territorial e a segurança regional só poderão ser garantidas por seus principais atores e pelos países que a compõem", afirmou Pezeshkian.
Ao iniciar a cúpula neste sábado, Modi defendeu um sistema em que "cada país tenha sua voz e sua parte".
O grupo de 11 membros, que representa 40% do PIB mundial e mais de 25% do comércio global, quer ampliar sua influência em questões como a segurança energética.
Em Nova Délhi, Pezeshkian se reuniu com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed, à margem da cúpula. Também está na cúpula o presidente do Egito, Abdel Fattah al Sisi e é esperada a presença do chanceler saudita, o príncipe Faisal bin Farhan.
Seis meses após o início das hostilidades, o bloqueio do Estreito de Ormuz, somado ao conflito no Iêmen, continua pressionando os preços do petróleo. Nesta semana, eles voltaram a ultrapassar o patamar simbólico de 100 dólares por barril.
- Comércio e hegemonia chinesa -
A reunião também poderia servir para debater o domínio econômico da China, que inunda seus parceiros do Brics com suas exportações, sobretudo a Índia.
Xi Jinping afirmou que os países devem "rejeitar toda forma de protecionismo" e "apoiar o sistema comercial multilateral, colocando a Organização Mundial do Comércio no centro".
A visita do líder chinês é por si só um acontecimento, já que ele não viajava à Índia desde 2019. Em 2020, os dois países protagonizaram um confronto militar em sua fronteira disputada no Himalaia.
Desde então, Nova Délhi e Pequim vêm restabelecendo lentamente suas relações, e Xi e Modi se reuniram neste sábado, informou a emissora estatal chinesa CCTV, sem fornecer mais detalhes.
A aliança do Brics foi criada em 2009 para reunir as principais economias emergentes — Brasil, Rússia, Índia e China, às quais se juntou a África do Sul — à margem das instituições dominadas pelos Estados Unidos e pelas potências ocidentais, como o G7.
burs-pjm-avl/pb/yr
M.White--AT