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Trump chega ao G7 na França após alcançar acordo com o Irã
Um Donald Trump em alta participa nesta segunda-feira (15) da reunião de cúpula do G7 na França, onde os demais líderes querem saber se o acordo firmado com o Irã para encerrar a guerra prevê a cobrança de pedágio para petroleiros no Estreito de Ormuz.
Ao anunciar o acordo, Trump celebrou nas redes sociais "a reabertura do Estreito de Ormuz sem cobrança de pedágio", mas, segundo a agência iraniana Fars, Teerã incluiu de última hora uma cláusula relacionada ao pagamento de uma tarifa sob a denominação de "serviços marítimos".
A rota crucial para o comércio mundial de hidrocarbonetos dominará a abertura dos três dias de cúpula em Evian, às margens do Lago Léman, embora outros temas sensíveis também estejam na pauta, como os mais recentes ataques russos na Ucrânia.
"Defendemos o direito internacional e faremos todo o possível para que não haja pedágio", declarou o presidente francês, Emmanuel Macron, à emissora TF1 poucas horas antes do início da reunião. Sem revelar detalhes, ele destacou que a "prioridade" é a reabertura de Ormuz.
Como anfitrião, Macron pretende impulsionar uma agenda carregada de temas delicados, que vão desde a redução dos desequilíbrios econômicos globais até o aumento da regulação do ambiente digital, especialmente em inteligência artificial, além da "diversificação" do fornecimento de terras raras.
O G7 quer reabrir rapidamente o Estreito de Ormuz para aliviar a pressão sobre os preços do petróleo, que reagiram com queda significativa ao anúncio do acordo entre Estados Unidos e Irã.
Mas, enquanto os detalhes não são conhecidos, França e Reino Unido já preparam uma missão conjunta para ajudar na reabertura de Ormuz, ao lado de outros aliados. O porta-aviões francês Charles de Gaulle pode "ser mobilizado em dois ou três dias", afirmou Macron.
Outra incógnita diz respeito às implicações do acordo para o Líbano, bem como para as atividades nucleares e balísticas do Irã.
- Desfile de líderes -
Com a chegada do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, começou nesta segunda-feira um desfile de líderes mundiais em Evian.
Embora apenas sete países integrem o grupo das grandes economias industrializadas - Estados Unidos, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Itália e Canadá -, Paris quer ampliar o alcance do encontro.
Líderes árabes, entre eles o presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sisi, o emir do Catar e o presidente dos Emirados Árabes Unidos, participarão das discussões sobre o Irã. Também é esperada a presença, em algumas sessões, dos líderes do Brasil, Índia, Quênia e Coreia do Sul.
Por sua vez, Sam Altman, CEO da OpenAI, Dario Amodei, da Anthropic, e Arthur Mensch, da rival europeia Mistral AI, discutirão na quarta-feira (17), durante um almoço, a proteção de menores no ambiente digital.
"O objetivo é alcançar novos acordos, convergências entre os países do G7 e seus parceiros (...), encontrar soluções comuns, reduzir as tensões no mundo e melhorar a situação de nossas economias", afirmou Macron em um vídeo publicado no Instagram.
Milhares de policiais e militares participam do esquema de segurança, que se estende à vizinha Suíça, do outro lado do Lago Léman. No domingo (14), houve confrontos entre policiais e manifestantes contrários ao G7 na cidade suíça de Genebra.
- China e terras raras -
Os líderes europeus e o Canadá também pretendem lembrar a Trump a importância de pressionar a Rússia a aceitar uma paz nos termos defendidos pela Ucrânia, mais de quatro anos após a invasão do país vizinho.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, que chegará a Evian na terça-feira (16), pediu aos líderes do G7 que aumentem a pressão sobre Moscou após a mais recente onda de ataques russos, que deixou ao menos 11 mortos e provocou um incêndio em uma catedral histórica de Kiev.
De forma incomum, o presidente americano prolongará sua estadia na França com um jantar ao lado de Macron no Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris, na quarta-feira, após o encerramento da cúpula.
Embora a China não faça parte do G7, o país será um tema central das discussões. Os líderes abordarão questões como o domínio de Pequim sobre o mercado de terras raras, essenciais para as transições energética e digital.
"Atualmente, a China acumulou muitas reservas e existem dependências", explicou Macron, demonstrando confiança de que o G7 alcançará um acordo para "diversificar" as fontes de obtenção de terras raras e evitar "bloqueios".
D.Lopez--AT