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Irã e EUA preveem acordo de paz iminente
Funcionários iranianos e americanos declararam, nesta sexta-feira (12), que a assinatura de um acordo de paz no Oriente Médio está mais próxima do que nunca, visão respaldada pelo Paquistão, mediador no conflito.
Após semanas de negociações e anúncios que não deram em nada, os principais atores desse conflito mostram-se confiantes, embora a versão publicada pela mídia iraniana sobre o que foi acertado destoe da divulgada por Washington.
"Assim que concluirmos as últimas etapas de nossas negociações, este acordo será assinado e anunciado", afirmou o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, na televisão estatal. "Isso pode acontecer nos próximos dias. Tenho boas esperanças", acrescentou.
O ministro das Relações Exteriores disse que o projeto de acordo previa a suspensão do bloqueio americano aos portos iranianos e uma nova gestão do Estreito de Ormuz. Ele também acusou Israel de tentar "frustrar" as negociações de paz com Washington.
Shehbaz Sharif, primeiro-ministro do Paquistão, principal negociador no conflito, mostrou-se igualmente otimista: "A paz nunca esteve tão perto quanto hoje", declarou.
- Assinatura à distância -
Um alto funcionário da Casa Branca estimou "entre 80% e 85%" a probabilidade de um acordo abrindo um período de 60 dias de conversas técnicas. "Ainda não cruzamos a linha de chegada", afirmou.
A Suíça já se ofereceu para sediar a eventual assinatura do pacto de paz. No entanto, Teerã informou que a rubrica será feita "à distância".
Os mercados receberam com otimismo essa perspectiva nesta sexta-feira, com o preço do petróleo abaixo de 90 dólares o barril.
Trump, que já anunciou em 39 ocasiões a iminência de um acordo, segundo uma contagem da CNN, tem dificuldades para encontrar uma saída para essa guerra impopular, às vésperas das eleições americanas de meio de mandato.
"Os termos que o Irã vazou (...) NÃO TÊM NADA a ver com os termos que foram acordados por escrito", publicou o presidente na Truth Social, usando letras maiúsculas. "São pessoas muito desonrosas. Com eles não se pode agir de boa-fé", acusou.
- Diluição do urânio -
A agência de notícias iraniana Mehr havia divulgado anteriormente o que apresentou como o rascunho de um protocolo de 14 pontos, com condições como a manutenção do controle sobre o Estreito de Ormuz, o direito ao enriquecimento de urânio e o desbloqueio de 24 bilhões de dólares de fundos iranianos congelados no exterior.
Por sua vez, Washington apresentou uma versão do texto totalmente diferente, prevendo a reabertura de Ormuz, o "desmantelamento" do programa nuclear iraniano e a diluição do urânio enriquecido iraniano pelos Estados Unidos.
Mas Araghchi assegurou nesta sexta-feira que esse processo de empobrecimento do urânio será realizado em território iraniano. Diluir o urânio a um nível inferior a 5%, longe dos 90% necessários para fabricar a bomba nuclear, permitiria afastar consideravelmente a ameaça de um enriquecimento com fins militares.
Teerã nega que seu programa nuclear tenha fins bélicos, como afirmam os Estados Unidos e Israel.
R.Lee--AT