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Criança morre baleada em manifestação em defesa das mulheres no Afeganistão
A ONU afirmou, nesta quarta-feira (10), que uma criança foi morta a tiros durante uma manifestação pelos direitos das mulheres realizada no dia anterior em Herat, no oeste do Afeganistão. Testemunhas disseram à AFP que os manifestantes foram dispersados com munição real.
A polícia negou o uso de armas durante a manifestação de terça-feira, na qual dezenas de homens se reuniram para protestar contra a detenção de mulheres por não usarem o xador ou a burca, vestimentas que cobrem todo o corpo.
A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) declarou-se "alarmada com o uso excessivo da força pelas forças de segurança de fato no Afeganistão" contra os manifestantes.
"A Unama confirmou que pelo menos uma pessoa, uma criança, morreu por um disparo, enquanto várias outras ficaram feridas após serem espancadas com bastões, e está verificando relatos de uma segunda vítima", afirmou a missão em um comunicado.
Duas testemunhas disseram à AFP que viram as forças de segurança abrirem fogo, enquanto uma delas afirmou também ter presenciado o uso de cassetetes e chicotes.
Sayed Masoud Hussaini, porta-voz da polícia de Herat, acusou os manifestantes na terça-feira de tentarem "perturbar a ordem pública".
"Algumas pessoas tentaram se reunir e criar tensões sob o pretexto de protestar contra questões relacionadas ao cumprimento do código de vestimenta do hijab", disse à AFP.
"Graças à rápida intervenção das forças de segurança, a situação foi controlada e evitou-se uma escalada das tensões", acrescentou.
A Unama documentou a prisão de pelo menos 30 mulheres em Herat "por supostamente violarem as instruções relativas ao código de vestimenta".
As autoridades talibãs governam segundo uma interpretação rigorosa da lei islâmica e têm endurecido gradualmente as restrições às mulheres desde que retornaram ao poder em agosto de 2021.
As mulheres em todo o país são obrigadas a estar totalmente cobertas ao saírem de casa, e muitas usam uma túnica folgada (abaya) juntamente com um véu islâmico e um lenço na cabeça.
O Ministério da Promoção da Virtude e da Prevenção do Vício, responsável por mobilizar a polícia da moralidade, encarregada de fazer cumprir essas normas, não comentou as prisões, apesar dos pedidos da AFP.
A.Anderson--AT