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Guerra no Oriente Médio agrava fome no mundo, alerta ONU
O fechamento do Estreito de Ormuz devido à guerra no Oriente Médio aumentou a fome no mundo, alertou nesta sexta-feira (5) a ONU, que também teme uma crise similar à de 2022, após a invasão russa na Ucrânia.
Em todo o mundo, 320 milhões de pessoas já sofriam de insegurança alimentar aguda quando, em março, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas previu que a situação poderia piorar.
Quase 45 milhões de pessoas a mais poderiam se ver nesta situação se a guerra, que começou no fim de fevereiro após um ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, não terminasse antes de junho e se o preço do barril de petróleo ultrapassasse os 100 dólares (cerca de 504 reais), estimou.
"Lamentavelmente, o cenário negativo está se concretizando", declarou Jean-Martin Bauer, diretor do serviço de análise de segurança alimentar do PMA, à AFP.
"O fechamento (do Estreito) de Ormuz se traduz em um aumento da fome", acrescentou, destacando o aumento dos preços dos produtos básicos como arroz e trigo.
O PMA teme ainda "efeitos de contágio" devido aos preços dos combustíveis e dos alimentos, à perda de renda e às perturbações no comércio.
"O que está se delineando é o retorno de uma crise mundial do custo de vida similar à que conhecemos em 2022", advertiu Bauer.
No entanto, em 2022 "os programas humanitários estavam melhor financiados" e havia trabalhadores em lugares onde já não existem, acrescentou.
Bauer afirmou a jornalistas, nesta sexta-feira, em Genebra, que o PMA se prepara para uma "ruptura de fornecimento" no próximo mês, o que significa que não haverá comida disponível para a distribuição.
"Quem sofrerá as consequências desta situação serão crianças muito vulneráveis com menos de cinco anos", alertou, ressaltando que já existe um risco de fome em uma região da Somália.
A organização estima que ajudará 1,5 milhão de pessoas a menos do que o previsto inicialmente em 2026 e alerta que, se a guerra no Oriente Médio continuar por seis meses, mais de nove milhões de pessoas poderão ficar sem assistência.
R.Chavez--AT