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Trump ordena bloqueio do Estreito de Ormuz após fracasso das negociações com o Irã
Donald Trump ordenou neste domingo (12) o bloqueio da navegação do Estreito de Ormuz, após denunciar que o Irã manteve uma postura "inflexível" sobre suas ambições nucleares nas negociações no Paquistão para pôr fim a seis semanas de guerra no Oriente Médio.
O fracasso das negociações em Islamabad gera preocupação com o destino da frágil trégua e com a possibilidade de que a retomada dos combates provoque um aumento dos preços da energia, com consequências para a economia mundial.
O presidente americano reconheceu que as conversas transcorreram "bem" e que havia sido alcançado um acordo na maioria dos pontos, exceto na questão nuclear, em uma publicação na Truth Social.
Trump anunciou que a Marinha dos Estados Unidos iniciará, com "efeito imediato", um bloqueio a todos os navios que tentem entrar ou sair do Estreito de Ormuz e afirmou que começará a "destruir" as minas marítimas colocadas pelo Irã.
"Em breve começará o bloqueio. Outros países estarão envolvidos", acrescentou, sem dar mais detalhes.
Desde o início da guerra - que já provocou milhares de mortes, sobretudo no Irã e no Líbano -, Teerã mantém um controle rígido da passagem por esse estreito, por onde transitava um quinto das exportações globais de petróleo.
O Irã permitiu a passagem de navios de países considerados aliados, como a China, e há relatos não confirmados de que Teerã quer cobrar pedágios nessa rota.
No Irã, a Guarda Revolucionária respondeu a Trump afirmando que suas forças mantêm "o controle total" do estreito e advertiu que seus inimigos ficariam presos em um "redemoinho mortal" se dessem qualquer passo em falso.
A agência de notícias Fars, do Irã, informou neste domingo que dois petroleiros com bandeira do Paquistão que se dirigiam ao estreito haviam dado meia-volta.
O Irã informou neste domingo que o Instituto de Medicina Legal contabilizou 3.375 mortos durante a guerra. Já a ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, registrou até 6 de abril pelo menos 3.597 mortos, dos quais 1.665 eram civis, entre eles ao menos 248 crianças.
Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, e a República Islâmica respondeu com bombardeios contra países do Golfo, contra alvos americanos e com mísseis lançados contra localidades em Israel, o que arrastou todo o Oriente Médio para um conflito que abalou a economia global.
- "Acabar com o Irã" -
Trump retomou sua estratégia de ameaças neste domingo e afirmou que "poderia acabar com o Irã em um único dia" em entrevista à Fox News.
O presidente advertiu que pode "acabar com todo o seu sistema energético" e alertou a China de que, se der ajuda militar ao Irã, imporá tarifas de 50%.
O mais recente ultimato de Trump ocorreu após o fracasso das negociações para assegurar um acordo que permita o fim da guerra.
O vice-presidente americano JD Vance, que liderou a delegação dos Estados Unidos, lamentou a falta de um "compromisso firme" do Irã de renunciar à posse de armas nucleares.
O Irã insiste em seu direito de manter um programa nuclear com fins civis, mas os países ocidentais o acusam de querer se dotar de armas nucleares.
"Sempre disse, desde o início, e há muitos anos, que O IRÃ NUNCA TERÁ UMA ARMA NUCLEAR", declarou Trump ao anunciar o bloqueio do Estreito de Ormuz.
Especialistas afirmaram que impedir o trânsito por essa passagem marítima crucial em meio ao cessar-fogo de duas semanas, após as negociações em Islamabad, atingiria a credibilidade dos Estados Unidos diante do mundo.
"Impor um bloqueio no Estreito de Ormuz neste momento, mesmo que possa ser implementado - o que continua sendo uma questão em aberto -, é desconcertante e parece contraproducente", disse Shibley Telhami, professor de paz e desenvolvimento da Universidade de Maryland.
Irã e Estados Unidos chegaram às conversas no Paquistão com posições iniciais muito distantes. Esse diálogo foi a reunião de mais alto nível entre os dois países desde a Revolução Islâmica de 1979.
- "Concessões dolorosas" -
O Paquistão, como país mediador, afirmou que continuará facilitando o diálogo e instou ambas as partes a seguirem respeitando a trégua temporária, estabelecida inicialmente por duas semanas para buscar um acordo de paz duradouro.
"É imperativo que as partes continuem respeitando seu compromisso com um cessar-fogo", declarou o chanceler paquistanês.
As exigências iranianas para qualquer acordo que ponha fim à guerra também incluem o desbloqueio dos bens iranianos sujeitos a sanções e o fim da guerra de Israel contra o Hezbollah no Líbano.
O porta-voz de política externa da UE insistiu que a diplomacia é "essencial para resolver as questões pendentes".
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, conversou por telefone com o sultão de Omã, Haitham bin Tariq, e ambos concordaram que "era vital que o cessar-fogo continuasse, e que todas as partes evitassem novas escaladas".
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou em conversa com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que está disposto a ajudar na mediação dos esforços para alcançar a paz.
burs/pb/hgs/pc-an/hgs/lb/dga/lm-jc
A.Moore--AT