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EUA e Irã mantêm trégua precária, mas bombardeios seguem no Líbano e no Golfo
Os Estados Unidos e o Irã mantêm uma trégua precária nesta quarta-feira (8), que deve durar duas semanas e permitir a reabertura completa do Estreito de Ormuz, embora horas após o anúncio ataques tenham sido registrados no Golfo e no Líbano.
Dois navios conseguiram cruzar essa via navegável estratégica, mas a desconfiança persiste em ambos os lados.
No Líbano, onde Israel considera que a trégua não se aplica, o exército israelense realizou seu "maior bombardeio coordenado" contra o movimento pró-iraniano Hezbollah desde o início do conflito.
O Kuwait relatou ter sido alvo de uma "intensa onda de ataques" iranianos nas últimas horas, e nos Emirados Árabes Unidos também foram registrados disparos de mísseis e drones.
O Irã assinalou ter respondido assim a bombardeios prévios contra suas instalações petrolíferas.
Apesar da trégua, a Guarda Revolucionária, exército ideológico do Irã, esclareceu que mantém "o dedo no gatilho" e não tem "nenhuma confiança" mas promessas americanas.
Nos Estados Unidos, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, ressaltou que as Forças Armadas "permanecem de prontidão" para retomar os combates, se necessário.
Com a trégua abrindo o caminho para as negociações, o presidente americano, Donald Trump, se disse disposto a "discutir" uma "suspensão (...) das sanções" econômicas impostas ao Irã em represália ao seu programa nuclear, com o qual, segundo acusações dos ocidentais, Teerã buscaria desenvolver a bomba atômica.
Este era um dos dez pontos do plano proposto pelo Irã, segundo a imprensa iraniana.
O presidente americano reforçou, ao contrário, que não haverá "nenhum enriquecimento de urânio", o que contraria o que a proposta iraniana exige.
Trump também ameaçou impor tarifas de 50% a todos os países que fornecerem armas ao Irã.
Segundo o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, a ofensiva destruiu "por completo" a capacidade do país para fabricar mísseis ou outro armamento sofisticado.
- "Dores" -
Após uma terça-feira marcada por bombardeios e ameaças de aniquilação da "civilização" iraniana por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, o anúncio de uma trégua ocorreu no meio da noite no Irã.
"Meus amigos mais próximos e eu estamos um pouco confusos. De quê serviu tudo isso? Eles atacaram instalações nucleares e de mísseis para ganhar tempo, mas, na realidade, nada mudou para o povo iraniano", disse à AFP um corretor da bolsa de 30 anos, na capital.
"A República Islâmica agora se sente vitoriosa, e não acho que isso dará muitas opções aos americanos nas negociações", acrescentou.
Simin, professora de inglês de 48 anos, moradora de Teerã, disse à AFP que "ainda (tem) dores por causa do medo".
"O impacto e a pressão psicológica foram tão intensos que mesmo agora não sabemos se devemos sentir alívio com a trégua ou não", explicou.
Contudo, o Irã anunciou, nesta quarta-feira, que tinha derrubado um drone de fabricação israelense e denunciou "violações do cessar-fogo" por parte de Israel ao Paquistão, que teve um papel crucial como mediador.
O vice-presidente americano, JD Vance, já tinha admitido horas antes que o cessar-fogo era "frágil".
O conflito começou em 28 de fevereiro, com a ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, que em seu primeiro dia matou o líder supremo, Ali Khamenei. Trump pediu no mesmo dia a derrubada da República Islâmica, um posicionamento que deixou de lado depois.
Em 2 de março, o conflito se estendeu para o Líbano, onde o exército israelense enfrenta o movimento Hezbollah, apadrinhado por Teerã.
- Pânico em Beirute -
Vários jornalistas da AFP testemunharam cenas de pânico nas ruas.
O exército israelense deixou claro que "a batalha continua" contra o Hezbollah, um grupo que não reivindicou a autoria de nenhum ataque contra Israel desde aproximadamente 01h local (19h de terça-feira, horário de Brasília).
Quanto ao Irã, ao contrário, Israel confirmou que vai acatar a trégua.
Um diplomata próximo das negociações disse à AFP que existia "um verdadeiro temor de que Israel fizesse descarrilar a trégua ou qualquer negociação". Segundo ele, a ofensiva israelense confirma estes temores e mostra que seus objetivos "são diferentes dos de seu aliado americano".
As autoridades iranianas anunciaram conversas com representantes de Washington no Paquistão a partir da sexta-feira, segundo o Conselho Supremo da Segurança do Irã.
- Mecanismo para o Estreito de Ormuz -
Um navio grego e uma embarcação com bandeira da Libéria foram os primeiros a cruzar o Estreito de Ormuz nesta quarta-feira, segundo o site de monitoramento marítimo MarineTraffic.
A Organização Marítima Internacional (OMI), uma agência da ONU responsável pela segurança marítima, afirmou estar preparando um mecanismo para garantir o "trânsito seguro" pelo estreito.
Desde o início da guerra, o Irã controla essa via navegável estratégica, por onde passavam 20% dos hidrocarbonetos do mundo antes do conflito. Sua reabertura era uma condição para um cessar-fogo.
Os mercados reagiram à notícia com otimismo: os preços do petróleo, tanto do WTI quanto do Brent do Mar do Norte baixaram dos 100 dólares o barril; o gás europeu caiu 20% e por volta das 13h30 GMT (10h30 de Brasília), a bolsa de Paris operava em alta de 4,85% e a de Frankfurt, de 5,10%.
burx-am-cnp/anb/pc-jvb/avl/aa-jc/mvv
B.Torres--AT