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Reino Unido abre bases aos EUA contra o Irã, mas nega estar em guerra
O Reino Unido negou nesta segunda-feira (2) estar "em guerra", após uma base britânica no Chipre ser atacada por drones iranianos, depois que Londres autorizou Washington a usar seus complexos militares contra o Irã.
O presidente americano Donald Trump criticou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, por ter demorado "demais" para permitir que os Estados Unidos utilizassem a base de Diego García, no oceano Índico. "Estamos muito decepcionados com Keir", declarou ao jornal The Daily Telegraph.
Na noite de domingo, Starmer anunciou que aceitou o pedido americano para usar bases britânicas contra instalações de mísseis iranianas, entre elas o complexo estratégico de Diego García, no arquipélago de Chagos.
"O Reino Unido não está em guerra", afirmou à BBC o secretário de Estado britânico para o Oriente Médio, Hamish Falconer. O governo trabalhista "decidiu deliberadamente não participar da primeira onda de ataques realizados pelos governos americano e israelense", ressaltou.
Mesmo assim, o jornal conservador The Daily Telegraph destacou em manchete: "Reino Unido apoia a guerra no Irã". Starmer declarou que a autorização tem caráter "defensivo".
- "Legítima defesa" -
Segundo o primeiro-ministro, a decisão busca "impedir que o Irã lance mísseis em toda a região, [...] atacando países que não estão envolvidos". "A base de nossa decisão é a legítima defesa de parceiros e aliados", insistiu, afirmando que a posição é "conforme o direito internacional". Ele reafirmou que Londres não participará "de ações ofensivas no Irã".
Pouco depois das 22h em horário local (19h em Brasília) de domingo, drones iranianos atacaram a base aérea britânica de Akrotiri, no sul de Chipre, principal instalação militar do Reino Unido na região. Um dos drones atingiu a pista, sem causar vítimas.
Starmer indicou que não pretende entrar em um novo conflito prolongado ao lado dos Estados Unidos. "Todos lembramos os erros cometidos no Iraque e aprendemos com eles", declarou.
Em 2003, o governo trabalhista de Tony Blair apoiou a invasão americana do Iraque, apesar de protestos massivos em Londres contra alegadas armas de destruição em massa que nunca foram comprovadas.
- "Mudança de regime necessária" -
Para Rosa Freedman, diretora da Faculdade de Direito da Universidade de Reading, a situação atual é "muito diferente". A guerra contra o Irã iniciada neste fim de semana "faz parte de uma mais ampla", desencadeada após o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, avaliou.
Segundo ela, o povo iraniano "tem tentado há muito tempo derrubar" seu governo e "uma mudança de regime é necessária para garantir a estabilidade e a segurança nacionais e internacionais". O alinhamento do Reino Unido a Estados Unidos e Israel torna suas bases "alvos legítimos".
A chanceler britânica, Yvette Cooper, afirmou que cerca de 300 mil britânicos estão nos países do Golfo, agora "alvo do Irã", incluindo turistas, passageiros em trânsito, empresários e residentes.
B.Torres--AT