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Seguem os confrontos entre Afeganistão e Paquistão
Soldados afegãos e paquistaneses se enfrentam na fronteira que separa seus países, informaram à AFP, neste domingo (1º), moradores da área e funcionários do Afeganistão, onde Islamabad realiza ataques terrestres e bombardeios.
Vários meses de confrontos fronteiriços entre os dois vizinhos do sul da Ásia resultaram, na quinta-feira, em uma escalada bélica, quando o Afeganistão lançou uma ofensiva ao longo da fronteira, que as forças paquistanesas responderam por terra e ar.
O Paquistão declarou "guerra aberta" às autoridades talibãs, às quais acusa de dar cobertura a milicianos armados que costumam realizar ataques em seu território. Cabul, por sua vez, nega.
Muitos atentados cometidos no Paquistão foram reivindicados pelo grupo Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), que aumentou sua ação neste país desde 2021, quando os talibãs retornaram ao poder no Afeganistão.
As autoridades afegãs informaram, por sua vez, que a ofensiva foi decidida em resposta aos bombardeios aéreos que mataram civis e que, segundo o Paquistão, visavam grupos milicianos.
Moradores de várias áreas fronteiriças do Paquistão disseram à AFP que houve combates durante a noite, e o departamento de informação da província de Nagarhar e a polícia informaram a morte de dois civis em ataques com drones.
O Ministério da Defesa reivindicou ataques aéreos em território paquistanês durante os últimos dias que, segundo especialistas, poderiam ter sido realizados com drones.
Ao norte de Cabul, a capital afegã, a base aérea de Bagram "foi atingida" por bombardeiros, informou um morador à AFP, que pediu o anonimato. Outro morador declarou: "Foi muito potente. Havia fumaça e fogo ao norte da base" durante esse ataque "aterrorizante", realizado ao amanhecer.
O porta-voz da província, Fazl ul Rahim Maskin Yar, assinalou, por sua vez, que os aviões paquistaneses "tentaram bombardear" a base, mas que não foram registradas nem vítimas, nem danos.
- "Todo mundo foi embora" -
O conflito também atingiu o centro de Cabul, onde foram ouvidos tiros e uma explosão ao amanhecer deste domingo, segundo jornalistas da AFP.
As forças de segurança patrulhavam as ruas da cidade e instalaram postos de controle.
"Estão sendo feitos disparos antiaéreos contra aviões paquistaneses em Cabul; os moradores não devem se alarmar", informou no X o porta-voz do governo talibã, Zabihullah Mujahid.
Na província fronteiriça de Jost também foi ouvido o sobrevoo de drones, constatou um jornalista da AFP.
Os combates noturnos sacudiram vários pontos do país, em Jost, Paktia e também no posto fronteiriço de Trohham, um ponto de passagem chave para os afegãos que retornam do Paquistão, informaram moradores destas áreas e autoridades.
"Os bombardeios começaram e as crianças, as mulheres, todo mundo foi embora", disse em Jost Mohamad Rasool, de 63 anos, que se refugiou em uma área próxima. "Alguns não tinham nem sapatos, as mulheres não usavam nem o véu", acrescentou.
- Vítimas civis -
O Paquistão afirmou, na sexta-feira, que tinha bombardeado Cabul e Kandahar, cidade do sul onde vive recluso o líder supremo dos talibãs afegãos, Habitullah Akhunzada.
O Afeganistão acusa o Paquistão de ter matado civis na região de Kandahar. Ali, um grupo de operários disse no sábado ter sido alvo de dois bombardeios, que deixaram três mortos.
Além das vítimas reportadas em Kandahar, 36 civis morreram desde a quinta-feira em Jost, Kunar e Paktiká, no leste do país, segundo Hamdullah Fitrat, vice-porta-voz do governo afegão.
O governo talibã também afirmou que suas forças mataram mais de 80 soldados paquistaneses e que capturaram outros 27, e reportou a morte de 13 de seus efetivos.
Islamabad, por sua vez, informou que 12 de seus soldados morreram.
No entanto, os balanços informados pelos dois lados são difíceis de verificar de forma independente.
No ano passado, foram realizadas várias rodadas de negociações entre o Paquistão e o Afeganistão, após um cessar-fogo negociado pelo Catar e pela Turquia, sem que tenha sido alcançado um acordo duradouro.
Os Estados Unidos, por sua vez, declararam "seu apoio ao direito do Paquistão de se defender dos ataques talibãs".
Este mês, a Arábia Saudita interveio depois que a trégua foi violada várias vezes, e mediou a libertação de três soldados paquistaneses capturados pelo Afeganistão em outubro.
burs-pbt/rsc/jnd/roc/pt/pz/jvb/ahg/mvv
E.Rodriguez--AT