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EUA recomenda saída de pessoal de sua embaixada em Israel por tensão com Irã
Os Estados Unidos recomendaram nesta sexta-feira (27) a saída de funcionários do governo não essenciais de sua embaixada em Israel, em meio a ameaças de um ataque americano ao Irã que fazem temer uma explosão de violência regional.
O anúncio ocorre um dia após uma terceira rodada de negociações entre Irã e EUA sob mediação de Omã, considerada uma última tentativa de evitar uma guerra.
Washington quer impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, um temor das potências ocidentais, negado repetidamente por Teerã.
Em 19 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um ultimato de "10 a 15 dias" para decidir se era possível chegar a um acordo ou se recorreria à força.
Por ora, Washington realizou a maior mobilização militar em décadas na região, que inclui dois porta-aviões. Um deles é o USS Gerald Ford, o maior do mundo, que partiu de Creta na quinta-feira e deve chegar à costa israelense.
Em junho, durante a curta guerra iniciada com uma ofensiva de Israel contra o Irã, Teerã respondeu com ataques em território israelense.
Com estes antecedentes, a embaixada americana em Jerusalém instou os funcionários governamentais "não essenciais" em Israel a deixar o país devido a "riscos de segurança" e recomendou que partissem "enquanto houver voos comerciais disponíveis".
O jornal The New York Times informou nesta sexta-feira que o embaixador americano em Israel, Mike Huckabee, enviou um e-mail ao pessoal da embaixada afirmando que aqueles que desejassem partir deveriam "fazê-lo HOJE".
A China também desaconselhou seus cidadãos a viajarem ao Irã devido a um "forte aumento dos riscos externos à segurança".
- "Linha vermelha" -
O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, disse nesta sexta-feira que está "alarmado" com o risco de uma "escalada militar regional e suas consequências para a população civil".
Em uma conversa telefônica com seu homólogo egípcio, Badr Abdelatty, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, pediu a Washington que abandone as "exigências excessivas" para alcançar um acordo.
Araghchi disse que "o sucesso neste caminho exige seriedade e realismo da outra parte, além de evitar qualquer erro de cálculo e exigências excessivas".
O chefe da diplomacia iraniana não especificou a que demandas se referia, mas suas palavras atenuaram o otimismo anunciado na véspera, após a rodada de negociações em Genebra.
No âmbito deste diálogo, os Estados Unidos fixaram como uma "linha vermelha" a proibição total do enriquecimento de urânio no Irã, que o considera um direito à energia nuclear civil.
O governo de Trump quer incluir no acordo os mísseis balísticos do Irã, vistos como uma ameaça existencial por seu aliado israelense.
Teerã se recusa a tratar deste assunto, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, considerou que isso representa "um grande problema".
No discurso sobre o Estado da União, na terça-feira no Congresso, Donald Trump afirmou que o Irã já "desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa" e trabalha "para construir mísseis que em breve alcançarão os Estados Unidos".
Segundo Rubio, os iranianos "não estão enriquecendo" no momento, "mas estão tentando chegar ao ponto em que finalmente conseguirão fazer". Teerã afirma ter limitado o alcance de seus mísseis a 2.000 quilômetros.
Omã declarou, por sua vez, que houve "progressos significativos" durante os diálogos na quinta-feira.
Araghchi também relatou "progressos". Segundo ele, foram abordados temas relativos ao programa nuclear iraniano e à suspensão das sanções, e afirmou que haverá uma nova rodada de negociações "muito em breve, talvez em menos de uma semana".
Em janeiro, surgiram novas tensões entre Washington e Teerã, quando as autoridades iranianas reprimiram com violência os protestos que desafiaram o poder dos aiatolás na República Islâmica. Trump ameaçou intervir no país para "ajudar" o povo iraniano.
N.Mitchell--AT