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Cuba promete que se defenderá de qualquer 'agressão terrorista'
Cuba se defenderá com “determinação” diante de qualquer “agressão terrorista”, declarou nesta quinta-feira (26) o presidente, Miguel Díaz-Canel, após o confronto entre membros da Guarda Costeira cubana e tripulantes de uma lancha de matrícula americana que deixou quatro mortos e seis feridos na embarcação.
“Cuba se defenderá com determinação e firmeza diante de qualquer agressão terrorista e mercenária que pretenda afetar sua soberania e estabilidade nacional”, escreveu Díaz-Canel no X.
O governo cubano denunciou na quarta-feira o incidente da lancha como uma tentativa de “infiltração com fins terroristas” por parte de um grupo armado, em um contexto de crescentes tensões com os Estados Unidos.
Além das quatro pessoas mortas, outros seis ocupantes da lancha ficaram feridos após terem sido interceptados em águas territoriais cubanas.
“Cuba teve de enfrentar inúmeras infiltrações terroristas e agressivas procedentes dos Estados Unidos desde 1959, com um alto custo em vidas, feridos e danos materiais”, denunciou também no X o ministro cubano das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, afirmou já na quarta-feira que os Estados Unidos investigavam esses disparos.
“À medida que reunirmos mais informações, estaremos preparados para responder em conformidade”, disse em São Cristóvão e Névis, onde participava de uma cúpula da Comunidade do Caribe.
Questionado sobre a possibilidade de que esse episódio tivesse envolvido pessoal do governo americano ou fosse uma operação do governo americano, Rubio respondeu categoricamente: “Não”.
- Anticastristas -
As tensões entre Washington e Havana se intensificaram nas últimas semanas em meio ao embargo petrolífero imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo as autoridades cubanas, os homens a bordo da lancha com matrícula da Flórida tinham em seu poder, entre outras coisas, fuzis de assalto, armas curtas, artefatos explosivos de fabricação caseira, coletes à prova de balas e roupas de camuflagem.
O incidente ocorreu a uma milha náutica do Cayo Falcones, na província de Villa Clara, no centro de Cuba.
Segundo Havana, quando um navio da Guarda Costeira se aproximou para pedir a identificação da lancha, os tripulantes abriram fogo “contra os efetivos cubanos”, ferindo o comandante das tropas cubanas.
Os membros do grupo armado são “cubanos residentes nos Estados Unidos” e “a maioria com um histórico conhecido de atividade criminosa e violenta”, informou o Ministério do Interior, que tornou públicos os nomes dos seis ocupantes feridos da lancha, assim como o de um dos falecidos.
De acordo com o governo cubano, dois dos feridos constam na lista de pessoas “submetidas a investigações criminais” e são procuradas por “sua implicação na promoção, planejamento, organização, financiamento, apoio ou execução” de “atos de terrorismo” em Cuba ou em outros países.
As autoridades também relataram a detenção de outro cubano que havia viajado antes dos Estados Unidos para Cuba a fim de facilitar a operação, e que confessou “suas ações”.
Antes do anúncio de Havana sobre a presença a bordo de um grupo armado, o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, havia anunciado a abertura de uma investigação judicial.
“O governo cubano não é de confiança e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para cobrar responsabilidades desses comunistas”, declarou o procurador no X.
As infiltrações de comandos armados a partir do sul da Flórida para realizar atentados em Cuba foram frequentes nas primeiras décadas após o triunfo da revolução em 1959, assim como o sequestro de pescadores cubanos e atentados contra diplomatas e sedes diplomáticas da ilha no exterior.
Os Estados Unidos não ocultam seu desejo de ver uma mudança de regime em Cuba e aplicam uma política de máxima pressão, invocando a “ameaça excepcional” que esse país, situado a 150 km das costas da Flórida, representaria para a segurança nacional americana.
O.Ortiz--AT