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Nuri al-Maliki mantém candidatura a primeiro-ministro do Iraque apesar de ameaça dos EUA
O candidato a primeiro-ministro do Iraque Nuri al-Maliki declarou à AFP nesta segunda-feira (23) que não retirará sua candidatura após ameaças dos Estados Unidos de cortar o apoio ao país caso ele retorne ao poder.
Al-Maliki foi o único primeiro-ministro a completar dois mandatos (2006-2014) desde que a invasão americana de 2003 derrubou o ex-presidente Saddam Hussein.
O candidato contou com o apoio da então ocupação dos EUA, mas posteriormente entrou em conflito com o governo americano por seus laços cada vez mais estreitos com o Irã.
"Não tenho absolutamente nenhuma intenção de me retirar por respeito ao meu país, à sua soberania e à sua vontade. Ninguém tem o direito de dizer em quem podemos ou não votar", disse al-Maliki. "Não vou me retirar até o fim", acrescentou.
Para amenizar tensões, entretanto, declarou à AFP nesta segunda-feira que é favorável ao monopólio estatal sobre as armas, uma exigência fundamental dos Estados Unidos, e que considera possível um entendimento com os grupos armados.
"Na verdade, o que os Estados Unidos querem não é novidade (...) Queremos armas nas mãos do Estado. Queremos uma força militar centralizada. Temos dito repetidamente: queremos um só exército sob um só comando, diretamente sob a autoridade do Estado", afirmou.
"É bastante possível" chegar a um acordo com os movimentos armados pró-Irã, acrescentou.
Segundo ele, "há uma boa base para o entendimento" com estes grupos, mas não será "por meio da força, da guerra ou dos confrontos".
O Irã é um inimigo declarado dos Estados Unidos, cujo presidente Donald Trump enviou dois porta-aviões ao Oriente Médio e diz considerar um ataque à República Islâmica se o país não chegar a um acordo sobre o programa nuclear iraniano.
T.Perez--AT