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Festival de Cinema de Berlim encerra edição em meio a controvérsias
A 76ª edição do Festival de Cinema de Berlim se encerra neste sábado (21), em parte marcada por controvérsias em torno da relação entre cinema e política.
Neste sábado, durante a entrega dos prêmios pelos júris independentes, o diretor mexicano Fernando Eimbcke recebeu o Prêmio do Júri Ecumênico por seu filme "Moscas".
O longa conta a história de um pai e um filho que se mudam para a casa de uma mulher introvertida para ficarem mais perto da mãe, que está hospitalizada com câncer em estágio avançado.
Ao receber o prêmio, Eimbcke fez um apelo a "todos os governos" e organizações para que "levantem suas vozes" em relação às "mais de 17 mil crianças mortas em Gaza nos últimos dois anos".
Em breves palavras no início desta cerimônia paralela, a diretora do festival, Tricia Tuttle, reconheceu "um mar turbulento", mas afirmou que a Berlinale "é isso".
No dia anterior, o filme "Chicas Tristes", da mexicana Fernanda Tovar, ganhou um prêmio duplo: o Urso de Cristal de Melhor Filme e o grande prêmio do Júri Internacional de Melhor Filme na seção Generation14plus.
Com imagens metafóricas e poéticas, "este filme nos comoveu profundamente com seu humor, tristeza e realismo" ao abordar "a violência sexual e suas consequências", comentou o júri.
- Filmes ofuscados -
A controvérsia política envolve o festival desde a sua abertura, em 12 de fevereiro.
"Devemos ficar de fora da política", foi a frase proferida por Wim Wenders, presidente do júri, que acendeu o debate.
Minutos antes, o cineasta alemão de 80 anos parecia dizer o contrário, afirmando que "os filmes podem mudar o mundo. Não de uma forma política — nenhum filme jamais mudou as ideias de um político —, mas podem mudar as ideias das pessoas sobre como devem viver".
No dia seguinte, o estrago já estava feito: a escritora indiana Arundhati Roy cancelou sua participação, considerando suas declarações "inadmissíveis".
Na terça-feira, uma carta assinada por mais de 80 atores e diretores, incluindo Javier Bardem, Tilda Swinton e Adam McKay, denunciou o "silêncio" do festival sobre o "genocídio dos palestinos".
A carta, escrita pelo coletivo Film Workers for Palestine, acusava o festival de estar envolvido na "censura de artistas que se opõem ao genocídio em curso perpetrado por Israel contra os palestinos em Gaza".
Tuttle refutou o que chamou de "alegações imprecisas que não se baseiam em nenhuma evidência".
O festival encerra neste sábado com uma gala a partir das 18h00 (14h00 no horário de Brasília).
Um total de 22 filmes foram exibidos na competição oficial. Entre os destaques, está "We Are All Strangers", de Anthony Chen, um drama familiar que explora as enormes disparidades sociais em Singapura.
Também impressionou a atuação de Sandra Hüller em "Rose", do diretor austríaco Markus Schleinzer. Este drama em preto e branco conta a história de uma mulher que se disfarça de homem na Alemanha rural do século XVII para escapar das restrições do patriarcado.
Juliette Binoche, no papel de uma mulher que cuida de sua mãe com demência, também emocionou o festival. "Queen at Sea", do diretor americano Lance Hammer, retrata os efeitos devastadores da doença de Alzheimer na família e nos amigos do paciente.
- Repressão no Irã -
O primeiro grande encontro da indústria cinematográfica do ano também serviu como plataforma para discutir a repressão no Irã.
A diretora Mahnaz Mohammadi apresentou, entre outros filmes, seu longa "Roya", inspirado em sua experiência na prisão.
O diretor Jafar Panahi denunciou a repressão aos protestos antigovernamentais iranianos de janeiro, que resultaram em pelo menos 7.000 mortes, segundo diversas ONGs.
"Um crime inimaginável foi cometido", declarou Panahi.
O.Ortiz--AT