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Venezuela recebe comandante militar dos EUA
O chefe do Comando Sul dos Estados Unidos reuniu-se nesta quarta-feira (18) com o governo interino da Venezuela, às vésperas de um debate para a aprovação de uma lei histórica de anistia geral.
Maduro foi capturado durante uma operação militar americana, em 3 de janeiro. Delcy Rodríguez era vice-presidente e herdou o poder. Ela governa sob pressão dos Estados Unidos, a quem cedeu o controle do petróleo, e avança na retomada das relações diplomáticas com Washington.
O general Francis Donovan aparece vestindo uniforme militar em fotos publicadas no perfil da embaixada americana em Caracas na rede social X. Ele estava acompanhado do subsecretário de Guerra para Defesa Interna e Assuntos de Segurança das Américas, Joseph Humire.
Donovan teve uma reunião com Delcy e seus ministros da Defesa, Vladimir Padrino, e do Interior, Diosdado Cabello, que, por anos, pregaram discursos "anti-imperialistas".
"Durante o encontro, os líderes reiteraram o compromisso dos Estados Unidos com uma Venezuela livre, segura e próspera, em benefício do povo venezuelano, dos Estados Unidos e do hemisfério ocidental", informou a embaixada americana em comunicado. "As conversas se concentraram no ambiente de segurança."
As partes "concordaram em trabalhar no desenho de uma agenda de cooperação bilateral para a luta contra o tráfico de substâncias ilícitas em nossa região, o terrorismo e a migração", informou o governo venezuelano.
Os Estados Unidos dizem comandar a Venezuela pós-Maduro. Mais cedo, autorizaram a empresa francesa Maurel & Prom a operar no país, somando-se a BP, Chevron, Eni, Repsol e Shell.
O petróleo venezuelano está sujeito a sanções americanas desde 2019, mas o embargo foi flexibilizado após a operação de janeiro.
- 'Não são criminosos' -
Delcy reuniu-se mais cedo o primeiro-ministro e chefe diplomático do Catar, país que recebe o dinheiro das vendas de petróleo venezuelano feitas pelos Estados Unidos. Doha também foi peça-chave em diferentes processos de libertação de presos políticos na Venezuela.
A Assembleia Nacional se prepara para a discussão final de uma lei de anistia histórica que, teoricamente, abrange os 27 anos de chavismo e deve resultar na libertação de centenas de presos políticos.
No mês passado, Delcy anunciou um processo que levou à libertação de 448 presos políticos, segundo o balanço mais recente da ONG Foro Penal. Mais de 600 permanecem detidos.
Um grupo com cerca de dez mulheres iniciou, no último dia 14, uma greve de fome na entrada da carceragem da Polícia Nacional conhecida como Zona 7, em Caracas. Na noite de hoje, restavam quatro.
A greve será "até o meu corpo aguentar", afirmou à AFP Narwin Gil, parente de uma pessoa presa no local. As manifestantes pedem "liberdade para todos os presos políticos, porque não são criminosos".
- Projeto piloto -
Fontes do setor e funcionários de postos de combustíveis informaram hoje que a Venezuela iniciou um projeto piloto de venda de gasolina de maior qualidade, que é oferecida pelo dobro do preço da convencional. O programa coincide com a abertura do mercado de petróleo, após a queda de Nicolás Maduro.
A gasolina na Venezuela chegou a ser a mais barata do mundo. O abastecimento passou por várias crises de escassez e, há anos, apenas um tipo de octanagem é oferecido.
Delcy Rodríguez também informou hoje que conversou por telefone com o presidente colombiano, Gustavo Petro, e que os dois acordaram "realizar em breve" uma reunião binacional, a primeira desde a queda de Maduro.
Petro condenou inicialmente a captura do líder venezuelano, mas baixou o tom após conversar com o presidente Donald Trump sobre o tema.
O primeiro presidente de esquerda da Colômbia visitou a Venezuela pela última vez em abril de 2024. Os dois países compartilham uma fronteira de 2.200 km, onde grupos armados disputam o controle das receitas do narcotráfico, do garimpo ilegal e do contrabando.
J.Gomez--AT