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Pacientes palestinos começam a chegar ao Egito após abertura limitada da passagem de Rafah
Os primeiros pacientes palestinos começaram a cruzar a fronteira para o Egito nesta segunda-feira (2), depois que Israel permitiu uma abertura limitada da passagem de Rafah, dando esperança a milhares de pessoas que querem sair da Faixa de Gaza.
Os pacientes, doentes e feridos de guerra, cruzaram a fronteira em três ambulâncias e foram "imediatamente examinados para determinar para qual hospital seriam transferidos", informou à AFP, nesta segunda, um alto funcionário do Ministério da Saúde egípcio.
"Estamos muito contentes de que tenha sido aberta a passagem fronteiriça, mas também sentimos medo e esperamos poder voltar para casa, para Gaza", disse à AFP Hala Abu Mustafa, que acompanha seu filho ferido para receber tratamento no Egito.
Fechada desde 2024, a passagem - única porta de entrada entre Gaza e o mundo exterior que não passa por Israel - reabriu nesta segunda-feira nas duas direções para os moradores, que poderão cruzar a fronteira sob condições muito estritas.
Para Ali Shaath, o chefe do comitê de palestinos que será encarregado da administração de Gaza durante a transição, declarou que esta "não é apenas uma medida administrativa, mas marca o início de um longo processo destinado a restabelecer o que foi rompido e a abrir uma verdadeira janela de esperança".
Esta entidade do governo transitório foi criada como parte do plano promovido pelo presidente americano, Donald Trump, para pôr fim a dois anos de guerra entre Israel e o grupo Hamas, um conflito iniciado após o ataque dos milicianos islamistas em território israelense, em 7 de outubro de 2023.
O plano americano permitiu o cessar-fogo que vigora desde 10 de outubro, mas as hostilidades continuam e no sábado bombardeios israelenses deixaram dezenas de mortos, segundo a Defesa Civil de Gaza. O exército israelense diz ter atacado combatentes palestinos que saíam de um túnel em Rafah.
A guerra entre Israel e Hamas deixou mais de 70.000 mortos em Gaza, segundo dados do Ministério da Saúde do território, governado pelo Hamas, que são considerados confiáveis pela ONU.
O ataque do Hamas no sul de Israel deixou 1.221 mortos, segundo um balanço da AFP com base em dados oficiais israelenses.
De acordo com o plano americano, o Hamas - no poder em Gaza desde 2007 - deve proceder ao desarmamento para uma retirada progressiva do exército israelense.
- "Vou abraçar minha mãe" -
Funcionários egípcios anunciaram que 150 pessoas poderão deixar Gaza nesta segunda-feira e outras 50 poderão entrar.
"Em Gaza não há tratamento, não há vida", admite. Ele diz se sentir "muito feliz por poder, enfim, receber tratamento", mas triste por ter que deixar seus entes queridos em Gaza, onde a "situação é catastrófica".
Para outros, que partiram para o Egito antes do fechamento da fronteira, esta reabertura significa a volta para Gaza.
"Minha mãe terminou seu tratamento e esperamos que volte do Egito. Para mim, é um dia de alegria. Vou abraçar minha mãe", diz Abdel Rahim Mohamed, de 30 anos, morador de Khan Yunis, no sul de Gaza.
Em maio de 2024, o exército israelense tomou o controle da passagem fronteiriça, que permaneceu fechada desde então, exceto por uma breve reabertura no começo de 2025.
Na manhã desta segunda-feira, um funcionário israelense anunciou a reabertura da fronteira nas duas direções para moradores, mas com restrições, após a chegada da missão de vigilância europeia EUBAM Rafah.
A ONU e organizações humanitárias reivindicavam a abertura da fronteira, mas por enquanto a mesma permanecerá fechada para a entrada de ajuda internacional no território palestino em ruínas.
Mohamed Abu Salmiya, diretor do hospital Al Shifa, o principal de Gaza, estima que atualmente haja no território "20.000 pacientes, incluídos 4.000 crianças, que precisam de atenção urgente".
As autoridades israelenses condicionaram as travessias à obtenção de "uma autorização de segurança prévia", em coordenação com o Egito e sob a supervisão da missão europeia em Rafah.
Os palestinos que quiserem voltar para Gaza poderão levar bagagem limitada, sem objetos metálicos ou eletrônicos, e com quantidades restritas de medicamentos, segundo a embaixada palestina no Cairo.
O enviado especial americano, Steve Witkoff, se reunirá na terça-feira com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, informou um alto funcionário israelense nesta segunda.
Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, se reuniram com Netanyahu em 24 de janeiro e, segundo informes, o pressionaram para a reabertura da passagem de Rafah.
O.Gutierrez--AT