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EUA nomeia nova chefe para sua missão diplomática na Venezuela
Os Estados Unidos nomearam uma nova chefe para sua missão diplomática na Venezuela nesta quinta-feira (22), em um processo para restaurar as tensas relações bilaterais após a queda do presidente deposto Nicolás Maduro.
Washington e Caracas caminham para uma retomada "gradual" das relações, rompidas desde 2019, na Venezuela pós-Maduro, da qual o presidente americano, Donald Trump, disse estar no comando.
Delcy Rodríguez assumiu o poder de forma interina na Venezuela após as forças americanas lançarem uma operação militar em 3 de janeiro e capturarem Maduro, sob quem ela atuava como vice-presidente.
Desde então, ela transformou as relações com Washington com acordos petrolíferos e a libertação de presos políticos, enquanto reorganiza o gabinete ministerial e a cúpula militar.
Laura Dogu consta como chefe da missão no site oficial da embaixada dos Estados Unidos na Venezuela, informação confirmada à AFP por uma fonte interna sob condição de anonimato.
Ela foi embaixadora dos Estados Unidos na Nicarágua, cujo presidente de esquerda, Daniel Ortega, é um dos poucos aliados da Venezuela na região. A diplomata chefiou essa delegação desde 2015.
Entre 2012 e 2015, foi vice-chefe de missão na embaixada dos EUA na Cidade do México.
Diplomatas americanos de alto escalão viajaram a Caracas em 9 de janeiro para avaliar a reabertura da embaixada, fechada desde 2019. Entre eles estava John McNamara, antecessor de Dogu.
Trump tem Delcy Rodríguez em alta consideração e inclusive a convidou para uma reunião nos Estados Unidos, em data ainda a ser definida.
A agenda de Rodríguez inclui uma reforma da Lei de Hidrocarbonetos, que será debatida pela primeira vez nesta quinta-feira no Parlamento venezuelano, com o objetivo de facilitar os negócios com os Estados Unidos e aumentar o fluxo de dólares.
Em relação à libertação de presos políticos no país, a ONG Foro Penal contabilizou 777 detidos em 19 de janeiro, com 143 libertações desde 8 de janeiro, quando o governo anunciou um "número significativo" de libertações.
- "Luta estoica" -
Na madrugada desta quinta-feira, as autoridades venezuelanas libertaram o genro de Edmundo González Urrutia, rival de Maduro nas controversas eleições de 2024.
Rafael Tudares é casado com uma das filhas de González Urrutia, candidato às eleições presidenciais de 28 de julho de 2024 no lugar da vencedora do Nobel da Paz María Corina Machado, então inabilitada a participar do pleito.
Maduro foi proclamado reeleito pelas autoridades eleitorais. González Urrutia partiu para o exílio na Espanha e denunciou fraude. Sua filha Mariana e Rafael Tudares permaneceram na Venezuela com sua família.
Tudares foi detido em 7 de janeiro de 2025 por homens encapuzados quando levava os dois filhos para a escola. Foi condenado à pena máxima de 30 anos de prisão, acusado de terrorismo. A decisão foi qualificada como uma "represália" pelo ex-rival de Maduro.
"Após 380 dias de uma injusta prisão arbitrária e de ter padecido, por mais de um ano, uma situação desumana de desaparecimento forçado, meu esposo, Rafael Tudares Bracho, voltou para casa esta madrugada", escreveu Mariana González.
"Foi uma luta estoica e muito dura por mais de 1 ano", acrescentou.
González Urrutia disse no X que a libertação do genro "reforça" seus apelos pela "liberdade para todas as pessoas detidas injustamente e garantias reais de não repetição".
O processo, no entanto, avança com lentidão.
Entre os opositores que continuam atrás das grades destaca-se Juan Pablo Guanipa, importante aliado de Machado e vinculado a uma suposta conspiração contra as eleições de governadores e deputados em 2025.
Na mesma situação estão Freddy Superlano, detido em julho de 2024, em meio aos protestos contra a reeleição de Maduro, e o ativista Javier Tarazona, preso desde 2021 por "terrorismo", "traição" e "incitação ao ódio".
- "Sem medo algum" -
Teoricamente, Rodríguez ficará a cargo do governo até o retorno de Maduro, preso em Nova York para ser julgado por narcotráfico.
A Constituição determina que ela governará por até seis meses, quando devem ser convocadas novas eleições.
A presidente interina, no entanto, assumiu o controle total do governo. Na quarta-feira, ela reestruturou os comandos militares, nomeando generais para 12 das 28 comandâncias regionais em todo o país.
A mandatária já havia designado antes um ex-chefe do serviço de inteligência, o Sebin, como novo comandante de sua guarda presidencial e como diretor da agência de contrainteligência DGCIM.
Na quarta-feira, Trump disse no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que "os líderes do país têm sido muito, muito inteligentes", em referência a Rodríguez, e a Casa Branca anunciou uma visita da presidente interina em data ainda a ser definida.
"Estamos em um processo de diálogo, de trabalho com os Estados Unidos, sem medo algum, para enfrentar as diferenças, as dificuldades", disse Rodríguez na quarta-feira, sem fazer referência ao convite.
Por outro lado, a Venezuela ainda é a principal aliada de Cuba. Em telefonema com Rodríguez nesta quinta-feira, o presidente Miguel Díaz-Canel lhe manifestou o "apoio e a solidariedade" de Havana, segundo uma publicação nesta quinta-feira no X.
A presidente segue sob sanções de Washington, inclusive o congelamento de bens.
B.Torres--AT