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Desaparecimento forçado de 200 presos políticos gera protestos na Venezuela
Familiares de presos políticos denunciaram, nesta terça-feira (20), que cerca de 200 pessoas estão em condição de "desaparecimento forçado" na Venezuela e exigiram uma prova de vida do Ministério Público, em meio ao lento processo de libertações sob pressão dos Estados Unidos.
"Onde estão?", "Chega de desaparecimentos forçados", diziam alguns cartazes em frente à sede do Ministério Público, onde uma centena de pessoas se concentraram. Uma comissão entregou um documento.
A pressão aumenta após o anúncio de solturas, feitas em 8 de janeiro, pelo governo da presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a deposição de Nicolás Maduro durante um bombardeio americano a Caracas e outras regiões vizinhas.
"É alarmante o número de pessoas em desaparecimento forçado, mesmo depois do anúncio" de solturas, disse Diego Casanova, integrante da ONG Comitê pela Libertação dos Presos Políticos. "Viemos documentando pelo menos 200 casos no comitê de pessoas que estão em desaparecimento forçado, segundo os padrões internacionais", acrescentou.
Muitos não sabem sequer o local de reclusão de seus parentes. Outros têm uma suspeita, mas não confirmada pelas autoridades.
"Pedimos prova de vida e não nos deram, não sabemos se estão vivos", protestou Xiomara Requena, mãe do militar Egdar Suárez Requena.
Ela disse ter ido com familiares de outros 15 militares a todos os recintos carcerários da região metropolitana e arredores na busca por seu filho e não obteve resposta.
As libertações se situam em cerca de 150 pessoas em um universo que passa de 800 detentos, segundo o balanço de ONGs.
"Treze dias e ainda não foi cumprido o compromisso de soltar todos os presos políticos na Venezuela", insistiu Casanova. "O desaparecimento forçado é um crime contra a humanidade".
Nancy Quiñones disse ter perdido a pista de seu filho, condenado a 24 anos de prisão por um suposto vínculo com a operação Gedeón, uma incursão marítima em 2020 que, segundo o governo, tentou depor Maduro.
"Onde está meu filho? Estou procurando meu filho há cinco meses e 18 dias", declarou à AFP. "São 32 'gedeones' (participantes desta operação) desaparecidos. Não sabemos se estão vivos ou mortos, estão desaparecidos", disse Quiñones.
A.Ruiz--AT