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Milhares de agricultores europeus protestam contra o acordo UE-Mercosul
Milhares de agricultores, a bordo de dezenas de tratores, protestaram nesta terça-feira (20) contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul em frente ao Parlamento Europeu, um dia antes da votação que decidirá se o tratado será contestado na justiça.
Agricultores franceses, italianos, belgas e até poloneses manifestaram-se a várias centenas de metros do edifício do Parlamento em Estrasburgo, no nordeste da França. O protesto reuniu mais de 4.500 pessoas, segundo a polícia.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinou o acordo de livre comércio entre a UE e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai no sábado (17), em Assunção, apesar das preocupações do setor agrícola europeu.
Este acordo resultará na importação de alimentos "produzidos de uma forma completamente diferente da europeia, com mais produtos fitossanitários e sem as mesmas normas", afirmou Baptiste Mary, um agricultor francês de 24 anos.
Apesar da assinatura, o tratado ainda não pode entrar em vigor. Os parlamentos nacionais dos países do Mercosul precisam ratificá-lo, assim como o Parlamento Europeu, com a votação prevista para os próximos meses.
No entanto, os eurodeputados devem votar na quarta-feira (21) uma proposta para submeter o acordo ao Tribunal de Justiça da UE, a fim de determinar se o seu método de adoção e conteúdo estão em conformidade com a legislação europeia.
Caso a corte se posicione contra o acordo, este deverá ser alterado para cumprir a decisão judicial.
"Queremos que os eurodeputados cumpram o seu dever, que recorram ao tribunal, para que o acordo possa ser revisto", disse à AFP Emmanuelle Poirier, uma criadora de gado que teme a "importação maciça de carne" bovina.
O Parlamento Europeu também deverá votar na quinta-feira uma moção de censura contra Ursula von der Leyen, apresentada pelo grupo de extrema direita Patriotas pela Europa, que tem poucas chances de sucesso.
A Comissão Europeia negocia este amplo acordo com o Mercosul desde 1999. O pacto eliminará as tarifas sobre mais de 90% de seu comércio bilateral.
O setor agropecuário europeu teme o impacto de uma entrada maciça de carne, arroz, mel e soja sul-americanos, em troca da exportação de veículos, máquinas, queijos e vinhos europeus para o Mercosul.
M.King--AT