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Famílias criticam balanço de libertação de presos políticos na Venezuela
Familiares de presos políticos exigiram, nesta terça-feira (13), rapidez nas libertações que o governo interino da Venezuela prometeu na semana passada sob pressão dos Estados Unidos.
Autoridades anunciaram as libertações após a captura do presidente Nicolás Maduro em um bombardeio americano em Caracas, no último dia 3.
Uma bandeira venezuelana rodeada por fotos de centenas de detidos ocupou parte de praça principal da Universidade Central da Venezuela (UCV), a maior do país. "Justiça e liberdade, são todos inocentes, nenhum é delinquente", gritavam os familiares. "Libertem todos!", pedia outra mulher.
O Ministério de Serviço Penitenciário anunciou a libertação de 116 detidos, mas ONGs especializadas reportaram bem menos. A Foro Penal registrou 56, e o Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos, que reúne familiares, 69.
"Não pode haver transição na Venezuela se não houver a liberdade plena e incondicional de todos os presos políticos", disse em entrevista coletiva Diego Casanova, representante do Comitê. "A repressão que os levou às prisões onde estão continua (...) Hoje, vemos que mais de 1.000 pessoas continuam presas injustamente."
Casanova denunciou prisões de pessoas por "apoiar" a queda de Maduro, e disse que foram acrescentados ao seu registro 100 novos casos, não reportados antes por medo das famílias de represálias.
Um estado de exceção está em vigor na Venezuela desde o bombardeio. Familiares se encontraram com tanta frequência nos centros de reclusão que se tornaram amigos.
Bianca Lorenzo, 65, e Xiomara Requena, 58, aguardam notícias de seus filhos, que acreditam terem sido transferidos para outra prisão militar após cumprirem sua pena.
"Não nos dizem nada. Deveria estar em liberdade há 11 meses", disse Bianca à AFP, em tom choroso. "Até hoje, nenhum telefonema. Fomos até lá e soltaram cães contra nós."
Keilen Villalobos, 32, disse sentir "uma angústia terrível". Seu marido está preso há dois anos, nos arredores de Caracas. Ela dorme há dias em frente à prisão, assim como dezenas de familiares, que aguardam as libertações.
"Está bem, com esperança", afirmou Keilen. "Falta pouco, faltam horas. Ele não sabia de nada, e começou a chorar quando contei" sobre a queda de Maduro.
Th.Gonzalez--AT