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Vance e Rubio recebem chanceleres de Groenlândia e Dinamarca na Casa Branca
Os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia serão recebidos, na quarta-feira (14), na Casa Branca pelo vice-presidente americano, JD Vance, e pelo secretário de Estado, Marco Rubio, em uma reunião crucial sobre o futuro deste território autônomo dinamarquês.
Nos últimos dias, o presidente americano, Donald Trump, aumentou a pressão sobre a Groenlândia, assegurando que assumirá o controle desta imensa ilha rica em recursos minerais "de uma forma ou de outra".
O presidente argumenta que, se os Estados Unidos não derem este passo, Rússia e China se tornariam potências hegemônicas no Ártico.
Antes do encontro, o primeiro-ministro da Groenlândia advertiu, nesta terça-feira (13) que, se tivessem que escolher, os groenlandeses prefeririam seguir junto da Dinamarca a fazer parte dos Estados Unidos.
"Nós enfrentamos uma crise geopolítica, e se tivermos que escolher entre os Estados Unidos e a Dinamarca aqui e agora, escolheremos a Dinamarca", declarou Jens-Frederik Nielsen em uma coletiva de imprensa conjunta em Copenhague com sua contraparte dinamarquesa, Mette Frederiksen.
"A Groenlândia não quer ser propriedade dos Estados Unidos. A Groenlândia não quer ser governada pelos Estados Unidos. A Groenlândia não quer fazer parte dos Estados Unidos", enfatizou Nielsen.
Junto dele, Frederiksen destacou que não tinha sido simples resistir ao que descreveu como "uma pressão totalmente inaceitável por parte do nosso aliado mais próximo".
"Há muitos indícios de que o mais difícil está por vir", acrescentou.
- Vance, o anfitrião -
Vivian Motzfeldt, chefe da diplomacia da Groenlândia, tinha pedido na semana passada uma reunião com Marco Rubio.
"O vice-presidente americano, JD Vance, também quer participar desta reunião e será o anfitrião", declarou à imprensa, nesta terça, o chanceler dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen.
No ano passado, depois que Trump já tinha manifestado a intenção de assumir o controle da Groenlândia, JD Vance anunciou uma visita não solicitada a este território.
Diante da onda de críticas que provocou, ele acabou limitando a viagem à base aérea americana de Pituffik, no noroeste da ilha.
Na ocasião, ele criticou o que considerava a frágil implicação dinamarquesa na Groenlândia e na segurança do Ártico, qualificando a Dinamarca com um "aliado ruim", o que provocou a indignação de Copenhague.
- Desfazer "mal-entendidos" -
Na segunda-feira, a Otan e a Groenlândia anunciaram a intenção de cooperar para reforçar a defesa deste vasto território com o objetivo de dissuadir Trump.
"Os Estados Unidos deveriam, ao contrário, agradecer à Dinamarca, que ao longo dos anos foi um aliado muito leal", afirmou no domingo o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, cujo país é o membro mais recente da Otan.
A Dinamarca e o governo autônomo da Groenlândia esperam que a reunião sirva para desfazer "mal-entendidos" sobre a defesa e a presença da China na região, entre outras questões.
Segundo o ministro dinamarquês das Relações Exteriores, a reunião de quarta-feira deverá permitir "trasladar toda esta discussão [sobre a Groenlândia] (...) a uma sala de reuniões, onde se possa olhar nos olhos e falar sobre os assuntos em questão".
O governo dinamarquês lembrou recentemente ter investido cerca de 90 bilhões de coroas (aproximadamente R$ 75 bilhões) para reforçar sua presença militar no Ártico.
O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, anunciou que vai se reunir na próxima segunda-feira com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, para falar sobre a segurança no Ártico.
O.Gutierrez--AT