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Familiares acampam diante de prisão na Venezuela à espera de mais libertações
Um grupo de familiares de presos políticos montou, nesta segunda-feira (12), um acampamento nos arredores de uma prisão na Venezuela para aliviar a longa espera pelas libertações que o governo prometeu sob pressão dos Estados Unidos.
Dezenas de famílias se deslocaram até Rodeo I, depois que o governo interino de Delcy Rodríguez anunciou na quinta-feira passada a soltura de um "número significativo" de detidos após a deposição de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos.
Já passaram quatro noites em claro ou dormindo em carros, com frio e sem proteção policial em uma área considerada perigosa.
O Ministério dos Serviços Penitenciários informou que 116 pessoas já foram libertadas, embora ONGs e partidos de oposição tenham confirmado até agora apenas 54. Organizações de defesa estimam entre 800 e 1.200 presos por razões políticas.
Cerca de 15 barracas em duas fileiras se estendem sobre um plástico preto a poucos passos de Rodeo I, localizada em uma cidade-dormitório a uma hora de Caracas. Uma faixa diz "libertem todos os presos políticos".
A ONG Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos forneceu as barracas, assim como 25 colchões que foram colocados em uma área coberta com oferta de comida.
"Agradecemos muito a ajuda que nos deram", disse à AFP Delmar Hernández, esposa de um trabalhador do setor petrolífero acusado de traição. "Saber que há apoio das pessoas faz com que a espera seja menos amarga."
A polícia advertiu que desmontaria qualquer acampamento, enquanto os moradores da região trazem refeições, sucos e café.
Uma das vendedoras de comida permite que os familiares usem a eletricidade. "Podem ficar o tempo que quiserem", diz a proprietária.
A ONG Foro Penal reportou 15 libertações em Rodeo I na madrugada desta segunda-feira.
"Não saiu nem um sequer por essa porta”, protestou Manuel Mendoza, cujo filho foi detido há dois anos e meio. "Exigimos a libertação imediata de todos os presos políticos, todos, não é justo", acrescentou, com a voz embargada.
H.Gonzales--AT