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Maduro se declara inocente em tribunal de Nova York
O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou-se inocente nesta segunda-feira (5) em sua primeira aparição em um tribunal de Nova York, dois dias após sua captura em Caracas em uma grande operação militar dos Estados Unidos.
Perante o juiz, Maduro, de 63 anos, afirmou que continua sendo o "presidente" da Venezuela. Ele é acusado de tráfico de cocaína para os Estados Unidos, assim como sua esposa, Cilia Flores, de 69 anos, que também se declarou inocente.
Ambos foram retirados à força de Caracas no sábado durante intensos ataques dos EUA que incluíram comandos terrestres, bombardeios de caças e uma imponente força naval.
A nova acusação também inclui o filho do presidente deposto, Nicolás Maduro Guerra ("Nicolasito"); o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello; e um traficante de drogas foragido.
A audiência judicial coincide, nesta segunda-feira, com a posse do novo Parlamento em Caracas, que manifestou apoio a Maduro, e com uma reunião do Conselho de Segurança da ONU em Nova York sobre a Venezuela.
"Vamos, Nico!", gritaram os deputados da maioria chavista ao entrarem no Parlamento, aplaudindo o filho de Maduro, também parlamentar.
"Eles voltarão. Nossos olhos verão. Seremos testemunhas desse momento histórico. Não tenham dúvidas de que isso vai acontecer em nome de Deus, todo-poderoso", disse Maduro Guerra, que ofereceu seu "apoio incondicional" à presidente interina, Delcy Rodríguez.
- "Independência política" -
Durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU em Nova York, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou nesta segunda-feira ao "respeito pelos princípios da soberania, da independência política e da integridade territorial dos Estados", em um discurso lido em seu nome pela subsecretária-geral Rosemary DiCarlo.
O presidente americano, Donald Trump, insistiu no domingo que os Estados Unidos estão "no comando" da Venezuela e que está discutindo os próximos passos com as novas autoridades venezuelanas, lideradas por Delcy Rodríguez.
A nova líder, ex-vice-presidente de Maduro, afirmou que estava pronta para cooperar com o governo de Trump e defendeu uma relação equilibrada e respeitosa com os Estados Unidos.
"Estendemos o convite ao governo dos Estados Unidos para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado", disse Rodríguez após presidir a primeira reunião de gabinete desde a deposição de Maduro.
A Força Armada reconheceu Rodríguez como presidente interina.
O governo Trump afirma estar disposto a trabalhar com o restante do governo Maduro, desde que os objetivos de Washington sejam atendidos, principalmente a abertura do acesso de investimentos americanos às vastas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo.
"Não me perguntem quem está no comando, porque vou dar uma resposta muito polêmica", disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One, quando questionado se havia conversado com Rodríguez.
Ao ser solicitado a esclarecer o que queria dizer, Trump respondeu: "Significa que nós estamos no comando".
- Dezenas de mortos -
Não há informações oficiais sobre quantas pessoas morreram durante os ataques dos EUA.
Uma organização que representa médicos na Venezuela relatou à AFP cerca de 70 mortos e 90 feridos, enquanto uma fonte militar afirmou que o número de mortos era de pelo menos 15.
Havana afirmou que 32 cubanos da equipe de segurança de Maduro morreram combatendo os ataques em Caracas. Trump alegou que "muitos cubanos" morreram na operação.
O opositor venezuelano Edmundo González Urrutia declarou no domingo, em seu exílio na Espanha, que a captura de Maduro "é um passo importante" rumo à normalização da Venezuela, "mas não o suficiente".
Ele pediu respeito aos resultados das eleições de 2024, que alega ter vencido, e a libertação de todos os presos políticos para garantir uma "transição democrática".
A União Europeia declarou nesta segunda-feira que a transição na Venezuela "deve incluir" a principal líder da oposição María Corina Machado, recente ganhadora do Nobel da Paz, e a quem Trump descartou do processo de transição.
Trump ainda não se pronunciou sobre a democracia na Venezuela e afirmou que as eleições terão que esperar.
"Vamos governar, consertar, vamos realizar eleições no momento certo, mas o principal é que precisamos consertar um país falido", declarou.
Maduro, que se define como socialista, governou a Venezuela com mão de ferro por mais de uma década, por meio de uma série de eleições consideradas fraudulentas. Ele chegou ao poder em 2013, após a morte de seu mentor Hugo Chávez.
burs-sms/jm/ane/mar/lbc/aa-jc
Ch.Campbell--AT