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Trump anuncia que os EUA governarão a Venezuela após derrubarem Maduro
O presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos "governarão" a Venezuela e explorarão sua riqueza petrolífera até que haja uma "transição pacífica", após a derrubada e captura do mandatário Nicolás Maduro por forças americanas neste sábado (3).
Cercado por agentes do FBI, Maduro chegou de avião, à tarde, a uma base militar nos arredores de Nova York — onde enfrenta acusações de narcotráfico e terrorismo — horas depois de ter sido levado em meio a um bombardeio em Caracas e em outros pontos do país.
Os ataques aéreos, realizados em plena madrugada, duraram mais de uma hora, e Trump disse tê-los acompanhado como um "programa de televisão". Mais tarde, revelou seus planos para o país com as maiores reservas de petróleo do mundo.
"Vamos governar o país até que possamos realizar uma transição pacífica, adequada e criteriosa", disse em coletiva de imprensa, depois de publicar uma foto de Maduro algemado e com os olhos cobertos por óculos escuros no navio militar USS Iwo Jima.
Ele indicou que o processo será liderado por membros de seu gabinete "em colaboração" com a oposição venezuelana, mas não deu detalhes.
Além disso, advertiu que, se necessário, os Estados Unidos estão prontos para um novo ataque, "muito maior", e para impedir que o círculo próximo de Maduro permaneça no poder.
Mas, ao mesmo tempo, afirmou que a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, está "disposta" a cooperar com Washington, segundo lhe manifestou ao chefe da diplomacia americana, Marco Rubio.
"Estamos dispostos a ter relações de respeito", afirmou depois a vice-presidente, que pediu a "libertação imediata" de Maduro e de sua esposa.
Maduro é o "único presidente" da Venezuela, sustentou Delcy Rodríguez, e assegurou que o governo está preparado "para defender a Venezuela", onde foi declarado o "estado de comoção".
- Dúvidas sobre a oposição -
Essa troca de declarações levantou dúvidas sobre o futuro papel dos opositores venezuelanos, que enfrentaram dura repressão durante o governo Maduro.
De fato, Trump afastou do processo iniciado neste sábado a líder opositora e Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado.
"Seria muito difícil para ela estar à frente do país. Ela não conta com apoio nem respeito dentro de seu país", afirmou Trump, a quem Machado dedicou o Nobel.
Anteriormente, Machado considerou que Edmundo González, que afirma que Maduro lhe roubou a presidência nas eleições de 28 de julho de 2024, "deve assumir imediatamente" o poder.
Trump, por sua vez, deixou muito claros seus objetivos quanto a incentivar as petroleiras americanas a retornarem à Venezuela e "investirem bilhões de dólares, repararem a infraestrutura gravemente deteriorada (...) e começarem a gerar dinheiro para o país".
O Conselho de Segurança da ONU discutirá na segunda-feira a operação americana, cuja legalidade é questionada dentro e fora dos Estados Unidos.
- "Programa de televisão" -
Trump contou à emissora Fox que acompanhou a operação "como se estivesse vendo um programa de televisão", horas depois de anunciar a detenção de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que, segundo Washington, não ofereceram resistência.
Nenhum americano morreu, acrescentou Trump, ao revelar que Maduro estava em uma fortaleza. Mais tarde, disse ao New York Post que "muitos" cubanos que o protegiam perderam a vida.
Após "meses de planejamento e ensaios", foram utilizadas cerca de 150 aeronaves, precisou o chefe do Estado-Maior, general Dan Caine.
Explosões e sobrevoos sacudiram Caracas por volta das 02h00 locais (03h00 de Brasília), no clímax de quatro meses de pressão militar contra Maduro, de 63 anos.
Os ataques foram dirigidos contra Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, e uma base aérea, entre outros locais, segundo jornalistas da AFP.
Trump considerava ilegítimo o mandatário, um ex-motorista de ônibus e ex-sindicalista, que chegou ao poder em 2013 após a morte do presidente Hugo Chávez e enfrentava acusações de fraude.
Em 2020, Maduro foi formalmente acusado de narcotráfico pelos Estados Unidos, que ofereciam por ele 50 milhões de dólares (R$ 272 milhões).
Washington também atacou nos estados vizinhos de La Guaira, onde fica o aeroporto de Caracas, Miranda e Aragua.
Caracas amanheceu deserta e com cheiro de pólvora em vários setores. Para evitar saques, comerciantes vendiam por meio das grades.
Agentes policiais encapuzados e fortemente armados percorriam a cidade e vigiavam prédios públicos, enquanto cerca de 500 pessoas expressaram apoio a Maduro em frente ao Palácio de Miraflores.
- "Viva a Venezuela!" -
A televisão estatal exibiu imagens de grades derrubadas e ônibus incendiados em La Carlota, uma base aérea de Caracas.
Os bombardeios sucederam uma série de ataques americanos contra lanchas que supostamente transportavam drogas no Caribe, com um saldo de mais de uma centena de mortos.
Trump aproveitou a detenção de Maduro para advertir os governos de esquerda da Colômbia e de Cuba, próximos a Maduro.
A pressão de Washington também se traduziu no fechamento do espaço aéreo venezuelano, em novas sanções contra Caracas e na apreensão de navios com petróleo venezuelano.
Maduro, que se proclama socialista, sempre disse que essas operações buscavam sua derrubada e a apropriação do petróleo venezuelano.
A autoridade aérea dos Estados Unidos e a União Europeia recomendaram às companhias aéreas evitar o espaço aéreo do Caribe e da Venezuela, respectivamente.
- "Chegou o dia e eu chorei" -
Alguns moradores se debruçaram em varandas e terraços para ver e registrar o que acontecia. Outros se abrigaram.
As explosões "me tiraram" da cama, contou à AFP María Eugenia Escobar, moradora de 58 anos de La Guaira. "Na hora pensei: 'Meu Deus, chegou o dia', e chorei."
Em diversas capitais do mundo, milhares de venezuelanos manifestaram júbilo pela queda de Maduro, embora também tenham expressado dúvidas e temor.
Países aliados como Rússia, China, Irã e Cuba rejeitaram os ataques, assim como os governos de esquerda do Brasil, Chile, Colômbia e México.
A Rússia exigiu a libertação de Maduro, enquanto a China afirmou que sua captura ameaça "a paz e a segurança" regionais.
G.P.Martin--AT