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Membro das forças de segurança morre a tiros em protesto no Irã
Um membro das forças de segurança morreu após ser atacado com "arma branca e a tiros" no oeste do Irã, informou neste sábado (3) a agência de notícias Mehr, no sétimo dia de protestos na República Islâmica.
O Irã é palco, desde o último domingo, de importantes mobilizações desencadeadas pelo alto custo de vida.
As manifestações começaram com os comércios fechando em Teerã, a capital, mas se estenderam a outros grupos e regiões.
Nos últimos dias, ao menos oito pessoas morreram, entre elas membros das forças de segurança, segundo um balanço oficial.
"Ali Azizi, membro da Basij, caiu como mártir após ser atacado com arma branca e a tiros na cidade de Harsin, durante uma concentração de arruaceiros armados" na sexta-feira, indicou a Mehr, citando um comunicado da Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano.
As forças da Basij são milícias de voluntários islamistas afiliadas à Guarda.
Os protestos atingem ou já atingiram, em maior ou menor medida, ao menos 25 cidades do Irã, segundo um levantamento da AFP baseado em anúncios oficiais e reportagens da imprensa.
A agência Fars reportou neste sábado concentrações em vários bairros populares de Teerã na sexta-feira.
Neste sábado, feriado, a situação parecia tranquila, com as ruas quase desertas, sob chuva e neve, constatou a AFP.
Em Darehshahr (oeste), cerca de 300 pessoas lançaram na sexta-feira coquetéis molotov, bloquearam ruas e "exibiram [fuzis] Kalashnikov", informou a Fars.
Segundo a agência Tasnim, que cita uma autoridade local, um homem morreu nesse mesmo dia na cidade santa de Qom, ao sul de Teerã, após a explosão "em suas mãos" de uma granada que pretendia utilizar.
As autoridades e os meios de comunicação iranianos não divulgam em detalhes todos os incidentes, o que complica a avaliação dos acontecimentos.
- Advertência de Trump -
O presidente americano, Donald Trump, advertiu na sexta-feira o Irã de que, se "disparasse e matasse violentamente manifestantes pacíficos, como é seu costume, os Estados Unidos viriam em seu socorro".
Uma declaração que o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, classificou como "imprudente e perigosa", e avisou que as forças armadas estão "atentas" caso ocorra qualquer intervenção.
A República Islâmica sofre há anos um encarecimento desenfreado dos produtos básicos e uma crônica desvalorização de sua moeda, o que desencadeou o início das mobilizações que depois passaram a incluir outras reivindicações.
No último ano, o rial perdeu mais de um terço de seu valor frente ao dólar, em um contexto de hiperinflação de dois dígitos e sufocamento econômico pelas sanções internacionais.
As recentes manifestações são, por ora, menos importantes do que as que abalaram o Irã no fim de 2022, após a morte sob custódia de Mahsa Amini.
A jovem foi acusada de violar o rígido código de vestimenta feminina, e sua morte desencadeou uma onda de indignação que deixou centenas de mortos.
D.Johnson--AT