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Rússia acusa Ucrânia de matar mais de 20 pessoas com drones na véspera do Ano Novo
A Rússia acusou a Ucrânia, nesta quinta-feira (1º), de ter atacado a região de Kherson durante a noite, deixando pelo menos 20 mortos, enquanto Kiev denunciou que Moscou lançou mais de 200 drones contra suas infraestruturas energéticas.
Estes novos ataques, nas primeiras horas de 2026, ocorreram em meio às incertezas que cercam os diálogos destinados a pôr fim ao conflito, cujos resultados continuam sendo uma incógnita.
Na região ucraniana de Kherson, no sul, controlada pelo exército russo, Moscou afirma que Kiev atacou com drones uma cafeteria e um hotel na cidade de Khorly, às margens do mar Negro, durante as comemorações do Ano Novo.
O governador de Kherson nomeado por Moscou, Vladimir Saldo, afirmou no Telegram que pelo menos 24 pessoas morreram e que "dezenas" ficaram feridas, e também publicou fotos nas quais corpos carbonizados são vistos.
Por enquanto, as autoridades ucranianas não reagiram a estas acusações.
- Reuniões na agenda -
Por sua vez, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, acusou a Rússia, nesta quinta, de começar um novo ano com mais ataques, no âmbito de sua ofensiva, iniciada em fevereiro de 2022.
"A Rússia começa deliberadamente o novo ano continuando com a guerra, lançando mais de 200 drones" na véspera do Ano Novo, denunciou Zelensky nas redes sociais, onde informou que Moscou mirou em infraestruturas energéticas.
Antes, em seu discurso de Ano Novo, o líder ucraniano avaliou que um acordo com a Rússia está "90% pronto", mas que os 10% restantes determinariam "o destino da paz".
Seu par russo, Vladimir Putin, instou seus compatriotas a acreditarem na "vitória", também em discurso de Ano Novo.
Na frente de combate, as tropas do Kremlin continuam atacando e ganhando terreno, sobretudo na região de Donetsk, no leste, prioritária para Moscou.
O enviado especial americano Steve Witkoff anunciou, na quarta-feira, que tinha falado com altos funcionários ucranianos, incluindo o negociador-chefe Rustem Umerov, e com conselheiros europeus em temas de segurança sobre como impulsionar os esforços de paz em 2026. Segundo Witkoff, ainda há um "importante trabalho" a fazer.
Segundo Zelensky, na próxima semana a França sediará uma reunião de países aliados de Kiev, que será precedida de outro encontro no sábado na Ucrânia de conselheiros de segurança destes países.
- "Endurecer" as negociações -
O Kremlin afirmou esta semana que "endureceria" sua postura nas negociações sobre o fim da guerra, após acusar a Ucrânia de lançar drones contra a residência de Putin na região de Novgorod.
Kiev tachou essa acusação de "mentira" e afirmou que Moscou a estava usando como pretexto para continuar atacando a Ucrânia e minar as negociações.
Nesta quinta, o exército russo informou pelo Telegram que possui informações de voo de um drone derrubado durante este suposto ataque e que transmitiria estes dados à parte americana.
Enquanto isso, os bombardeios noturnos continuam.
Em 2025, a Rússia lançou 54.592 drones de longo alcance e 1.958 mísseis em bombardeios noturnos contra a Ucrânia, totalizando 56.550 munições, segundo uma análise de dados feita pela AFP com base em informações fornecidas pela Ucrânia.
Em dezembro, as forças russas lançaram 5.310 mísseis e drones de longo alcance contra o território ucraniano, 6% a menos que em novembro.
Estes bombardeios visam, sobretudo, as infraestruturas de gás e eletricidade da Ucrânia. Como ocorreu em invernos anteriores, as autoridades impuseram cortes de luz em várias regiões para mitigar a escassez de eletricidade resultante dos bombardeios.
Em resposta, Kiev costuma realizar ataques contra depósitos petroleiros e refinarias russas.
P.Smith--AT