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Lula afirma que COP30 de Belém será "a melhor de todas"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu nesta terça-feira (4) que a COP30, que será inaugurada na próxima semana em Belém do Pará, "será a melhor de todas", apesar dos ventos contrários à luta climática, em entrevista concedida a agências internacionais, entre elas a AFP.
Anfitrião da cúpula de chefes de Estado e de governo que ocorrerá antes, na quinta e na sexta-feira, em Belém, Lula, de 80 anos, lançou, contudo, um alerta: acabaram-se as palavras, é hora de agir.
O presidente empenhou-se em organizar a conferência climática da ONU, entre 10 e 21 de novembro, na maior floresta tropical do planeta, apesar de todos os desafios logísticos.
A chegada de cerca de 50 mil visitantes causou caos na hospedagem em Belém, com preços muito elevados que geraram preocupação sobre a possível exclusão de países pobres.
"Quando nós decidimos fazer a COP aqui no estado do Pará, a gente já sabia das condições do estado, já sabia das condições da cidade (...) E a gente decidiu fazer aqui porque a gente não queria comodidades, nós queríamos desafios. E nós queríamos que o mundo viesse conhecer a Amazônia", explicou.
Durante a entrevista, Lula abordou as negociações que mantém com os Estados Unidos para que Donald Trump suspenda as tarifas punitivas impostas ao Brasil, assim como a campanha de ataques de Washington contra supostas narcolanchas próximas à Venezuela.
Além disso, classificou de "matança" a megaoperação policial contra o crime organizado realizada na semana passada no Rio, que deixou 121 mortos — a mais letal da história do país.
A seguir, trechos da entrevista, editados para melhor compreensão:
Pergunta: A luta contra a mudança climática atravessa um momento muito difícil, com o mundo concentrado em outros assuntos, como a guerra comercial, e com os alertas científicos de que o planeta caminha para um aquecimento superior à meta de 1,5ºC. Como evitar que esta COP seja um fracasso?
Resposta: "Tenho certeza que nós vamos fazer a melhor COP de todas as COPs já realizadas até hoje. Nós queremos ver se é possível inaugurar uma nova fase da COP de implementação, porque é o seguinte: chega de discussão, agora tem que implementar o que nós adjetivamos."
P: Quais serão as prioridades desta COP30?
R: "Nós temos interesse aqui em uma coisa nova (...) que é o famoso programa de TFFF [sigla em inglês], ou seja, Florestas Tropicais para Sempre. É um fundo em que não será uma doação, é um fundo de investimento. E o Brasil, quando anunciou esse fundo, já depositou 1 bilhão de dólares [R$ 5,35 bilhões].
É um fundo que vai trazer rentabilidade para o investidor, e uma parte dessa rentabilidade vai financiar os países que mantêm sua floresta em pé.
Nossa ideia de propósito é a criação de um Conselho do Meio Ambiente. Um órgão ligado [à ONU], com um pouco mais de poder, para, ao decidir uma decisão aqui, esse conselho poder viajar no mundo acompanhando os resultados.
A ideia é propor o mapa do caminho, porque a gente fala, fala, fala na diminuição dos combustíveis fósseis. Então o que nós queremos é começar uma discussão para saber se, numa linha de tempo, quando é que a gente pode prever que o mundo está preparado para ser livrado com diminuição.
Não é uma coisa fácil."
P: O governo é acusado de contradizer sua política ambiental com a recente aprovação de um projeto da Margem Equatorial de exploração de petróleo próximo à foz do rio Amazonas. Como o senhor justifica essa decisão?
R: "[Se eu fosse] um líder falso e mentiroso, eu esperaria passar a COP para anunciar. Se a gente encontrar um petróleo que se pensa que tem, vai ter que começar tudo outra vez para dar uma licença. E pode ficar certo de uma coisa: quando eu não existir mais, o povo brasileiro existirá, e nós iremos fazer, se tiver que explorar, da forma mais cuidadosa que alguém pode fazer. Nós não vamos colocar em risco uma coisa que nós acreditamos que faz bem para a humanidade."
P: O senhor está preocupado com a operação dos Estados Unidos contra supostas narcolanchas próximas às costas da Venezuela?
R: "Os americanos poderiam estar tentando ajudar esses países [no combate ao tráfico de drogas], não tentando ficar atirando contra esses países. Não, eu não quero que a gente chegue a uma invasão terrestre.
Eu disse ao presidente Trump que um problema político a gente não resolve com armas. A gente resolve com diálogos. Então, se está faltando diálogo, eu me coloquei à disposição, naquilo que entenderem que o Brasil possa ajudar. Nós temos todo o interesse de ajudar. Nós não desejamos, nós não queremos conflito na América do Sul."
P: No mês passado, o senhor se reuniu com o presidente Trump em Kuala Lumpur e demonstrou otimismo em resolver rapidamente a questão das tarifas punitivas que os Estados Unidos impuseram ao Brasil. Como seguem as negociações?
R: "Houve a primeira reunião. E agora o meu ministro das Relações Exteriores [Mauro Vieira], o meu vice-presidente da República [Geraldo Alckmin], o meu ministro da Fazenda [Fernando Haddad] estão preparados para marcar uma nova reunião. Se for o caso, irão a Washington para negociar.
Então, vamos terminar a COP. Se não tiver tido a reunião, eu não terei nenhum problema de ligar para o presidente Trump, não terei nenhum problema de ir a Washington, não terei nenhum problema de ir a Nova York e espero que ele não tenha nenhum problema de vir ao Brasil."
P: Como o senhor avalia a megaoperação policial contra o crime organizado que deixou 121 mortos na semana passada no Rio de Janeiro e provocou indignação de organismos como a ONU?
R: "Houve a matança. Eu acho que é importante a gente verificar em que condições ela se deu. Nós temos até agora uma versão contada pela Política, contada pelo governo do Estado. E tem gente que quer saber se tudo aquilo aconteceu do jeito que eles falam. Mas do ponto de vista da função de Estado, eu acho que ela foi desastrosa."
O.Brown--AT