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Enviado dos EUA se reúne em Tel Aviv com parentes de reféns do Hamas
O enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio se reuniu neste sábado (2), em Tel Aviv, com parentes de reféns israelenses mantidos na Faixa de Gaza, pouco após o Exército de Israel alertar que o conflito continuará "sem trégua" caso eles não sejam libertados.
Os reféns foram sequestrados durante o ataque do movimento islamista palestino Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza, cenário de uma catástrofe humanitária e cuja população enfrenta o risco de morrer de fome.
A Defesa Civil do território palestino afirmou que 32 pessoas morreram neste sábado, atingidas por tiros e bombardeios israelenses, incluindo 14 que aguardavam ajuda no centro e sul de Gaza. Procurado pela AFP, o Exército não comentou as informações.
Em Israel, o americano Steve Witkoff foi recebido na chamada Praça dos Reféns de Tel Aviv por famílias de israelenses retidos na Faixa de Gaza. Depois, conversou com os parentes de reféns em um prédio próximo à praça.
O Fórum de Famílias de Reféns informou que no encontro, de quase três horas, Witkoff ressaltou "o compromisso do presidente Trump" de libertar todos os reféns.
Das 251 pessoas sequestradas em 7 de outubro de 2023, 49 permanecem em cativeiro em Gaza. Deste grupo, 27 foram declaradas mortas, segundo o Exército israelense.
Cerca de 60 mil pessoas manifestaram-se na noite de hoje na Praça dos Reféns, em Tel Aviv, para pedir a libertação deles, informou o Fórum de Famílias.
- '666 dias de trauma' -
A divulgação pelo Hamas e sua aliada Jihad Islâmica de vídeos que mostram dois reféns fragilizados causou comoção nesta semana em Israel. A família de um dos reféns, Evyatar David, 24, acusou o Hamas de usá-lo "como um experimento vivo em uma campanha vil de fome".
"A fome deliberada de nosso filho como parte de uma campanha de propaganda é um dos atos mais horríveis que o mundo já viu", afirma um comunicado.
As imagens reavivaram o debate sobre a necessidade de alcançar um acordo para libertar os reféns, após o fracasso das últimas negociações indiretas.
"Basta", afirmou Michel Ilouz, pai do refém Guy Ilouz. "Quanto mais tempo poderemos continuar sendo atormentados? Em breve chegaremos a dois anos de sofrimento indescritível, 666 dias de trauma", acrescentou.
"Acredito que, nos próximos dias, saberemos se conseguiremos alcançar um acordo para a libertação dos nossos reféns. Em caso contrário, o combate continuará sem trégua", afirmou o comandante do Estado-Maior israelense, o tenente-general Eyal Zamir, segundo um comunicado militar divulgado neste sábado, após uma visita à Faixa de Gaza na sexta-feira.
O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 provocou a morte de 1.219 pessoas do lado israelense, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais.
A ofensiva israelense de retaliação deixou mais de 60.300 mortos em Gaza, também em sua maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, território governado pelo Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
- 'Crimes de guerra' -
No começo de março, Israel proibiu a entrada de ajuda na Faixa de Gaza, um território totalmente dependente de assistência humanitária, o que provocou uma escassez grave de alimentos. No fim de maio, o país autorizou a entrada de quantidades muito limitadas.
O território palestino está sob a ameaça de uma "fome generalizada", segundo a ONU. A ajuda que Israel permite entrar por via terrestre e aérea é considerada insuficiente pelas Nações Unidas e por várias ONGs.
Witkoff se reuniu ontem com moradores de Gaza, segundo imagens divulgadas por seu gabinete, e prometeu que a ajuda humanitária vai aumentar.
O Hamas condenou neste sábado uma "encenação premeditada destinada a enganar a opinião pública, melhorar a imagem da ocupação e proporcionar cobertura política para a campanha de fome em curso e para o assassinato sistemático de civis inocentes" em Gaza.
Desde o final de maio, 1.373 pessoas que aguardavam ajuda foram assassinadas no território palestino, "a maioria" pelo Exército israelense, denunciou a ONU na sexta-feira.
Em um relatório, a ONG Human Rights Watch classificou de "crimes de guerra" os "assassinatos de palestinos que buscavam alimentos por parte das forças israelenses".
O tenente-general Zamir denunciou uma "tentativa deliberada, planejada e enganosa" de desacreditar o Exército israelense. "O responsável pelas mortes e pelo sofrimento dos moradores de Gaza é o Hamas", reiterou.
H.Thompson--AT