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Trump diz que Ucrânia "não deveria" atacar Moscou
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira (15) que a Ucrânia "não deveria" atacar Moscou em uma guerra que, segundo a Rússia, se prolongará devido à entrega de novas armas a Kiev.
Na segunda-feira, Trump deu à Rússia um prazo de 50 dias para alcançar um acordo de paz com a Ucrânia e anunciou que membros da Otan forneceriam mais armamento a Kiev.
Segundo o Financial Times, Trump conversou recentemente com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, sobre fornecer mísseis americanos para atacar Moscou.
Questionado por jornalistas na Casa Branca nesta terça-feira, Trump respondeu: "Não, não deveria mirar Moscou."
Durante a campanha eleitoral, Trump prometeu pôr fim à guerra rapidamente e interromper o fluxo de bilhões de dólares em armas americanas para a Ucrânia.
O republicano pressionou duramente Zelensky e, no início, aproximou-se do presidente russo, Vladimir Putin.
Sob pressão de Trump, Moscou e Kiev abriram negociações sobre o conflito bélico iniciado há mais de três anos, mas o único resultado concreto foi a troca de prisioneiros.
A Rússia rejeitou os apelos por um cessar-fogo e lançou um número recorde de drones e mísseis contra a Ucrânia nos últimos meses.
Moscou afirma precisar de mais tempo para responder ao anúncio de Trump feito na segunda-feira.
"Parece que essa decisão tomada em Washington, nos países da Otan e diretamente em Bruxelas será percebida por Kiev não como um sinal em favor da paz, mas como um sinal para continuar a guerra", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a jornalistas.
"A declaração do presidente Trump é muito séria. Sem dúvida precisamos de tempo para analisar o que foi dito em Washington", declarou.
Trump advertiu que, se não for alcançado um acordo, imporá tarifas severas aos parceiros comerciais da Rússia, numa tentativa de impedir que o país consiga financiar a ofensiva militar.
Impulsionada pelos enormes gastos com armamentos e pelas exportações de energia para países como China e Índia, a economia russa tem desafiado até agora as tentativas dos Estados Unidos e da União Europeia de empurrá-la para uma recessão profunda por meio de sanções.
– Carga para a Europa? –
A maioria dos aliados europeus aplaudiu o retorno da linha dura dos Estados Unidos, mas a Eslováquia, liderada pelo populista pró-Moscou Robert Fico, se opôs a novas sanções da UE contra a Rússia.
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, também pediu que os Estados Unidos ajudem a financiar as novas armas.
"Recebemos com satisfação o anúncio do presidente Trump de enviar mais armas para a Ucrânia, mas gostaríamos de ver os Estados Unidos dividirem o fardo", disse Kallas após uma reunião de ministros das Relações Exteriores da UE em Bruxelas.
"Se você promete dar as armas, mas diz que quem vai pagar é outro, na verdade não está dando você mesmo", acrescentou.
Trump pressiona os aliados para que aumentem os gastos com defesa e comprem dos fabricantes americanos, e avalia que os Estados Unidos assumem uma carga excessiva na Otan.
Dinamarca, Países Baixos e Suécia, que se uniram à Otan depois de a Rússia enviar tropas para a Ucrânia em 2022, prometeram participar do plano de Trump.
– 'Jogo de xadrez' –
Dezenas de milhares de pessoas morreram desde que a Rússia lançou sua ofensiva, e milhões foram forçadas a abandonar suas casas no leste e no sul da Ucrânia, regiões devastadas por ataques aéreos e ofensivas terrestres.
Alguns moradores de Moscou não levam muito a sério o prazo dado por Trump.
"É um jogo de xadrez", declarou Svetlana, engenheira aeronáutica. Trump "disse 50 dias, e depois virão mais (...) Estamos esperando o próximo movimento do nosso presidente", disse a mulher de 47 anos.
Os soldados ucranianos que lutam no leste estão otimistas, mas cautelosos.
"Não acredito nele. Já houve promessas demais que não foram cumpridas", opinou um soldado que pediu para ser identificado apenas como "Shah".
Outros temem que seja muito pouco e tarde demais.
"Claro que é bom, mas ao mesmo tempo perdeu-se tempo. Esses [sistema antimísseis] Patriot poderiam ter sido enviados antes e teriam ajudado muito", declarou à AFP outro combatente chamado "Master".
Ruslan, um soldado de 29 anos, quer ver o lado positivo para seu país: "Se houver sequer a menor possibilidade de melhorar a situação para nós e piorá-la para eles, então isso já é positivo".
R.Lee--AT