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Dezenas de milhares de manifestantes saem às ruas nos EUA contra o 'rei' Trump
Um gigantesco balão laranja que representa Donald Trump de fralda foi erguido em meio a um dos numerosos protestos que reuniram dezenas de milhares de pessoas nos Estados Unidos para condenar a política do presidente republicano.
É a maior mobilização no país desde que o magnata retornou à presidência em janeiro passado.
Os organizadores a batizaram de “Sem reis” porque acreditam que Trump age como se fosse um. Seu objetivo: “rejeitar o autoritarismo, a política dos bilionários e a militarização” da democracia.
Eles carregavam cartazes nos quais se lia “Não aos Rreis!”, “Sem coroa para o palhaço!” e “O regime fascista de Trump precisa cair agora!”
Os protestos contrastavam com o enorme desfile militar realizado em Washington para comemorar a criação do Exército dos Estados Unidos e que coincide com o aniversário de 79 anos do presidente.
“Estou aqui hoje para dizer ao mundo que não temos reis nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, a lei é o rei”, declarou Ilene Ryan à AFP em uma manifestação em Boston (norte do país).
Em Nova York, dezenas de milhares de pessoas, vestidas com capas de chuva e segurando guarda-chuvas coloridos, marcharam pela Quinta Avenida sob a chuva ao som de tambores, sinos e cantos: “Ei, ei, oh, oh, Donald Trump tem que ir!”
Os atores Susan Sarandon e Mark Ruffalo foram vistos encharcados entre os manifestantes.
– “As pessoas estão furiosas” –
A poucas quadras dali, Polly Shulman disse estar “indignada com a forma como este governo destrói os ideais da Constituição americana”.
O que mais choca essa funcionária de museu de 62 anos são “as deportações ilegais de residentes cumpridores da lei”. “Estão sendo sequestrados, desaparecidos e enviados a prisões de tortura em países estrangeiros”, acrescentou.
Em março, o governo de Trump expulsou mais de 250 imigrantes para uma megaprisão em El Salvador, após acusá-los de pertencerem à quadrilha criminosa Tren de Aragua, declarada organização “terrorista” por Washington.
Pelo menos quatro manifestantes foram presos neste sábado em um protesto menor contra o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, sigla em inglês) em Nova York, informou a polícia.
“Acho que as pessoas estão furiosas”, declarou à AFP Lindsay Ross, músico de 28 anos.
Bill Kennedy, psicólogo aposentado da Pensilvânia, protestou em Washington horas antes do grande desfile militar de Trump.
“Estou farto do governo atual. Acho que são um bando de fascistas”, opinou.
– “A vaidade” de um homem –
Suzanne Brown, em Boston, também lamentou o dinheiro gasto no desfile “pela vaidade de um só homem”.
Os protestos massivos “Sem reis” também ocorreram em Los Angeles, palco nos últimos dias de manifestações contra a repressão migratória do governo Trump.
No sábado, manifestantes se reuniram em frente a prédios federais gritando “Eles não são bem-vindos aqui!” para alguns dos 4 mil membros da Guarda Nacional e 700 fuzileiros navais americanos que Trump enviou à cidade contra a vontade das autoridades municipais e estaduais.
Um balão laranja gigante de Trump de fralda foi erguido sobre eles.
Integrantes do grupo feminista russo Pussy Riot levantaram uma grande faixa vermelha em frente à prefeitura de Los Angeles com o alerta: “Isso está começando a parecer com a Rússia”.
Iris Rodríguez, de 44 anos, explicou que sua família chegou aos Estados Unidos sem visto.
“Se fosse minha mãe, se estivéssemos nos anos 80, isso estaria acontecendo com ela”, declarou à AFP. “Estava com um pouco de medo, mas me recuso a ter tanto medo a ponto de não vir”, acrescentou.
Em Houston, Texas, Matthew, um professor de 34 anos que preferiu não informar o sobrenome, quer que democratas e republicanos “tirem esse cara do poder porque ele está se comportando como um inconsequente”.
As manifestações em nível nacional aconteceram, em sua grande maioria, de forma pacífica e sem incidentes.
No entanto, em Culpeper, Virgínia, a polícia informou que um homem avançou “intencionalmente” com seu carro contra um grupo de manifestantes. Ninguém ficou ferido.
Em Los Angeles, a polícia usou gás lacrimogêneo e agentes montados para dispersar manifestantes que haviam se reunido em frente a um prédio federal no centro da cidade, foco dos protestos contra o ICE durante a última semana.
Segundo jornalistas da AFP presentes no local, não houve distúrbios, mas aparentemente, agentes locais afastaram as pessoas de uma área onde estavam posicionadas tropas da Guarda Nacional e dos Fuzileiros Navais.
bur-arb-vla-mav/erl/val/am
A.Moore--AT