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Trump conversou com Putin e não vislumbra 'paz imediata' na Ucrânia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou nesta quarta-feira (4) que não haverá uma "paz imediata" na Ucrânia, após conversar com seu par russo, Vladimir Putin, que lhe disse, segundo Trump, que vai "responder" ao recente ataque ucraniano com drones.
As negociações entre Kiev e Moscou sobre uma trégua, promovidas por Trump, estão paralisadas.
No último fim de semana, a Ucrânia lançou um ataque complexo com drones explosivos contra vários aeródromos russos, que permitiu destruir ou danificar um grande número de aeronaves militares.
Putin disse "muito energicamente que terá que responder ao recente ataque" dos ucranianos, afirmou Trump em sua rede Truth Social ao relatar uma conversa por telefone que durou uma hora e quinze minutos.
Trump não mencionou sua recente frustração com Putin, com quem disse ter ficado "completamente louco", no final de maio, pelos ataques russos contra a Ucrânia.
Tudo parece indicar uma escalada militar, longe da promessa de Trump de acabar com a guerra iniciada em fevereiro de 2022 pela invasão russa.
Em uma conversa telefônica com o papa Leão XIV também nesta quarta, o presidente russo culpou a Ucrânia. Ele afirma que Moscou quer alcançar a paz por meios "diplomáticos", mas que Kiev busca uma "escalada" e "realiza ações de sabotagem contra infraestruturas civis no território russo".
Após dois ciclos de negociações em Istambul entre Kiev e Moscou sobre um cessar-fogo, as duas partes ainda não conseguiram aproximar suas posições.
- "Ultimatos" -
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, classificou nesta quarta as condições impostas pela Rússia como "ultimatos" inaceitáveis.
Na segunda reunião bilateral, sob mediação turca, a delegação russa entregou a Kiev uma lista de exigências, como a retirada das forças ucranianas de quatro oblasts (regiões administrativas) que Moscou reivindica, a renúncia da Ucrânia em aderir à Otan e a limitação do tamanho de seu exército.
Com o Exército ucraniano lutando na linha de frente, o chefe de Estado ucraniano e seus aliados europeus pedem há semanas um cessar-fogo incondicional, que o Kremlin rejeita.
Moscou acredita que isso permitiria que Kiev se rearmasse com a ajuda de seus aliados ocidentais e insiste em resolver as "causas profundas" do conflito.
Putin acusou nesta quarta a Ucrânia de estar por trás das explosões que descarrilaram três trens em duas regiões russas fronteiriças no último fim de semana, deixando sete mortos e 113 feridos.
Também rejeitou a proposta de organizar conversas de alto nível com os ucranianos: "Quem conduz negociações com aqueles que apostam no terrorismo?", questionou, rejeitando um cessar-fogo completo e incondicional no front.
A mensagem de Trump nesta quarta não menciona sanções adicionais contra a Rússia, exigidas pela Ucrânia, e recentemente cogitadas pelo próprio presidente dos Estados Unidos.
- Troca de prisioneiros -
Ao contrário de Zelensky, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, insistiu que as conversas em Istambul foram "importantes" e "úteis" e levaram a "resultados concretos".
Russos e ucranianos trocarão 1.000 prisioneiros de guerra, 500 de cada lado, neste fim de semana, após uma troca de 2.000 soldados em maio. Além disso, Moscou e Kiev concordaram em trocar milhares de cadáveres militares.
Mais de três anos após a invasão, que custou dezenas de milhares de vidas, as tropas ucranianas sofreram meses de retrocessos no campo de batalha e as russas avançam por setores na extensa linha de frente.
O Exército russo afirma ter conquistado uma pequena localidade no oblast fronteiriço de Sumi, na Ucrânia.
Em busca de garantias de apoio contínuo de Washington, Andriy Yermak, um assessor muito próximo de Zelensky, se reuniu nesta quarta-feira com o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, em Washington.
B.Torres--AT