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Israel pede ao Hamas que aceite proposta de trégua dos EUA ou será 'aniquilado'
Israel pediu nesta sexta-feira (30) ao Hamas que aceite a proposta americana para uma trégua na Faixa de Gaza e a libertação dos reféns, sob o risco de ser "aniquilado", antes de o presidente americano, Donald Trump, afirmar que um cessar-fogo está "muito próximo".
Israel intensificou nas últimas semanas suas operações militares no território palestino, para tomar o seu controle, destruir o Hamas e libertar os últimos reféns sequestrados em outubro de 2023.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse na noite de hoje que o Exército prosseguia com suas operações "com toda a sua força", e que estava "retirando a população de cada zona de combate".
"Os assassinos do Hamas devem escolher: aceitar os termos do 'acordo Witkoff' para a libertação dos reféns ou serem aniquilados", ressaltou Katz, referindo-se à proposta de trégua do enviado americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff.
Donald Trump afirmou na Casa Branca que um acordo está "muito próximo". "Informaremos vocês durante o dia ou, talvez, amanhã."
Jens Laerke, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), disse que Gaza é "o lugar do mundo com mais fome". "É a única área delimitada, um país ou um território definido dentro de um país, onde toda a população corre o risco de fome; 100% da população corre risco de fome."
A ONU condenou, mais tarde, o saque realizado por indivíduos armados de grandes quantidades de equipamentos médicos e tratamentos "destinados a crianças desnutridas" no território palestino.
- 'Cruzada' contra Israel -
Israel também intensificou a expansão de seus assentamentos na Cisjordânia e anunciou nesta semana a criação de 22 novas colônias.
O Reino Unido classificou a medida como um "obstáculo deliberado" para a criação de um Estado palestino, e o porta-voz do chefe da ONU, António Guterres, afirmou que levaria a uma "direção incorreta" nos esforços para obter uma solução de dois Estados, um israelense e outro palestino.
O ministro Israel Katz prometeu hoje construir um "Estado judeu israelense" na Cisjordânia.
Uma fonte diplomática disse à AFP que o chanceler saudita, Faisal bin Farhan, fará neste domingo uma vista a Ramallah, na Cisjordânia, a primeira de um chefe da diplomacia do país aos territórios palestinos desde 1967.
Os assentamentos israelenses na Cisjordânia são considerados ilegais de acordo com a lei internacional e são regularmente denunciados pela ONU.
Katz considerou a medida como uma repreensão direta ao presidente francês, Emmanuel Macron, e a outros líderes que pressionam pelo reconhecimento de um Estado palestino.
Macron disse hoje que o reconhecimento de um Estado palestino "não é simplesmente um dever moral, e sim uma exigência política". Israel acusou o presidente francês de empreender uma "cruzada contra o Estado judeu".
- Consultas sobre o acordo -
A Casa Branca anunciou ontem que Israel havia aceitado uma proposta de trégua dos Estados Unidos, o que o governo israelense não confirmou. Mas o movimento palestino afirmou que o acordo não atende às suas exigências, embora não o tenha rejeitado totalmente, e informou hoje que "fazia consultas" sobre a proposta.
O ataque de 7 de outubro resultou na morte de 1.218 pessoas do lado israelense, a maioria civis, de acordo com uma contagem da AFP baseada em dados oficiais.
Das 251 pessoas sequestradas pelo Hamas naquele dia, 57 permanecem na Faixa de Gaza, das quais pelo menos 34 estão mortas, segundo as autoridades israelenses. O grupo islamista também mantém os restos mortais de um soldado israelense morto em 2014 durante uma guerra anterior em Gaza.
O Ministério da Saúde de Gaza, governada pelo Hamas, informou, nesta sexta-feira, que pelo menos 4.058 pessoas foram mortas desde que Israel retomou as operações no território, em 18 de março, elevando o número de mortos na guerra para 54.321, a maioria civis.
T.Wright--AT