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Israel anuncia morte de suposto líder do Hamas em Gaza
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou nesta quarta-feira (28) que Israel matou Mohamed Sinwar, considerado líder do movimento islamista palestino Hamas na Faixa de Gaza, devastada por 19 meses de guerra.
O enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff, disse, mais tarde, que tinha um "pressentimento muito bom sobre [a possibilidade de] alcançar uma resolução de longo prazo, um cessar-fogo temporário e uma solução pacífica para este conflito". "Estamos prestes a enviar uma proposta que será, esperamos, entregue hoje, no mais tardar", declarou.
Já Netanyahu anunciou no Parlamento: "Expulsamos os terroristas do nosso território, entramos com força na Faixa de Gaza, eliminando milhares de terroristas, eliminamos (...) Mohamed Sinwar", declarou Netanyahu em uma sessão parlamentar.
Segundo veículos de imprensa israelenses, um bombardeio do Exército de Israel realizado em 13 de maio em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, teve como alvo Mohamed Sinwar.
De acordo com especialistas no movimento islamista, Mohamed Sinwar chefiava o braço armado do Hamas, as Brigadas al Qassam, consideradas - assim como o movimento político - uma organização terrorista pelos Estados Unidos e pela União Europeia.
Ele era irmão de Yahya Sinwar, outrora líder supremo do Hamas, assassinado em Gaza em 2024, e considerado o principal artífice do ataque do movimento islamista palestino contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.
- Saque -
Netanyahu fez o anúncio após o diretor de uma agência da ONU criticar um novo sistema de distribuição de ajuda em Gaza, ativado por Israel, depois que 47 pessoas ficaram feridas ontem durante uma operação caótica de entrega de assistência.
Um armazém do Programa Mundial de Alimentos (PMA) foi saqueado hoje por uma multidão de palestinos em Deir el-Balah, no centro da Faixa de Gaza. "Hordas de pessoas famintas invadiram o armazém em busca de alimentos que estavam ali para serem distribuídos", informou o PMA. O Programa pediu um "acesso humanitário seguro e sem travas, para permitir imediatamente distribuições de alimentos ordenadas".
A questão da distribuição de ajuda neste território palestino, que sofre uma crise humanitária sem precedentes após 600 dias de guerra, ganhou relevância depois que a Fundação Humanitária de Gaza (GHF), uma organização de origem obscura, que conta com o apoio dos Estados Unidos, se instalou no terreno.
O Exército de Israel desmentiu, nesta quarta-feira, ter atirado contra a multidão durante a entrega da ajuda.
A ONU e várias ONGs se negaram a participar das operações da GHF e, nesta quarta-feira, Philippe Lazzarini, chefe da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) reiterou suas críticas à fundação.
"Acredito que é um desperdício de recursos e uma distração das atrocidades. Já contamos com um sistema de distribuição de ajuda adequado para este país", declarou, durante uma visita ao Japão.
Sigrid Kraag, enviada da ONU para o Oriente Médio, afirmou, por sua vez, que os moradores de Gaza, cada vez mais mergulhados no "abismo", "merecem algo mais que sobreviver".
- Bombardeios diários -
A população palestina segue sob bombardeios e a Defesa Civil da Faixa de Gaza reportou hoje 16 mortos em ataques aéreos.
Israel rompeu em março uma trégua de dois meses e retomou sua ofensiva neste território controlado pelo movimento islamista palestino Hamas. Em 17 de maio, intensificou suas operações com o objetivo declarado de eliminar o Hamas, libertar os reféns israelenses ainda em cativeiro e tomar o controle do território.
A guerra começou com o ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, que matou 1.218 pessoas do lado israelense, civis em sua maioria, segundo um balanço da AFP com base em dados oficiais.
A ofensiva militar de Israel em Gaza causou a morte de 54.084 pessoas, majoritariamente civis, segundo dados do Ministério da Saúde do território palestino, considerados confiáveis pela ONU.
Os milicianos islamistas também sequestraram 251 pessoas durante o ataque de 7 de outubro de 2023. Destas, 57 pessoas continuam cativas em Gaza, embora as autoridades israelenses estimem que 34 estejam mortas.
E.Flores--AT