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Trump anuncia grande troca de prisioneiros entre Ucrânia e Rússia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (23) uma "grande" troca de prisioneiros entre Ucrânia e Rússia, com felicitações aos dois países e a pergunta sobre se a medida poderia levar a "algo grande", uma possível referência às negociações entre os beligerantes.
Após mais de três anos de guerra desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, milhares de prisioneiros permanecem detidos nos dois países, mas o número exato é desconhecido.
"Uma grande troca de prisioneiros acaba de ser concluída entre Rússia e Ucrânia", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
"Parabéns aos dois lados por esta negociação. Isso pode levar a algo grande???", acrescentou o presidente americano.
Nem Moscou, nem Kiev confirmaram imediatamente a informação.
Uma fonte de alto escalão que acompanha o assunto declarou à AFP, no entanto, que "a troca propriamente dita ainda não aconteceu" e que "o processo está em curso".
Este tipo de troca, muito delicado entre países em guerra, costuma ser mantido em sigilo até que seja concluído, o que pode levar horas.
Na semana passada, durante negociações na Turquia, Rússia e Ucrânia concordaram em trocar 1.000 prisioneiros de cada lado.
O encontro representou a primeira conversa direta entre os beligerantes desde 2022.
"Temos a confirmação de que quase 10.000 pessoas estão em cativeiro na Rússia", declarou em abril o comissário ucraniano para as pessoas desaparecidas, Artur Dobroserdov.
A Rússia divulga poucas informações sobre o destino dos ucranianos mantidos em cativeiro e cada troca é marcada por surpresas, declarou à AFP um funcionário ucraniano de alto escalão que pediu anonimato.
"Em quase todas as trocas há pessoas sobre as quais ninguém sabia nada", afirmou. "Às vezes, devolvem pessoas que estavam nas listas de desaparecidos ou que eram consideradas mortas".
A questão dos prisioneiros de guerra é um dos poucos campos nos quais Kiev e Moscou conseguiram, ocasionalmente, alcançar acordos desde o início da invasão russa, o que resultou em trocas limitadas de forma regular.
Também é um tema especialmente doloroso nos países, onde milhares de famílias esperam angustiadas notícias de seus entes queridos desaparecidos.
- Novas negociações? -
Ucrânia e Rússia trocam acusações sobre violações da Convenção de Genebra sobre o tratamento reservado aos prisioneiros de guerra.
A Rússia organiza com frequência julgamentos contra prisioneiros de guerra ucranianos, o que é contrário ao direito internacional.
Também são denunciados casos de tortura e vários reféns - militares e civis - morreram durante a detenção.
A ONG Anistia Internacional denunciou as "torturas sistemáticas e a privação de atendimento médico" a prisioneiros ucranianos na Rússia em um relatório publicado em março.
Vários ex-prisioneiros ucranianos afirmaram à AFP que foram torturados durante seu cativeiro.
Recentemente, a Rússia devolveu o corpo da jornalista ucraniana Viktoria Roshchina, que morreu em cativeiro. Segundo uma investigação jornalística, ela foi torturada e faltavam alguns órgãos do corpo.
Durante a campanha eleitoral, Trump insistiu que conseguiria acabar com os combates.
Há várias semanas, o presidente americano tenta obter um cessar-fogo entre os beligerantes, ao mesmo tempo que ameaça abandonar o processo se não observar avanços.
Na área de batalha, os ataques continuam. A Rússia informou nesta sexta-feira que derrubou 112 drones ucranianos durante a noite, dispositivos que visavam em particular a região de Moscou e perturbaram pelo terceiro dia consecutivo as operações de vários aeroportos.
Após as negociações em Istambul, a possibilidade de uma segunda reunião é objeto de intensas especulações, embora o encontro não tenha sido confirmado formalmente.
Moscou indicou que qualquer continuidade das conversações com Kiev só poderá acontecer após a troca de prisioneiros, prevista em um formato de 1.000 russos por 1.000 ucranianos.
Segundo o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, Kiev "examina todas as possibilidades" sobre o local de uma nova reunião bilateral com os russos.
O papa Leão XIV, os Estados Unidos e a Itália anunciaram a possibilidade de um encontro no Vaticano.
Mas o chefe da diplomacia russa, Sergey Lavrov, pareceu fechar a porta à possibilidade nesta sexta-feira. Ele afirmou que não seria muito elegante que países ortodoxos discutissem em território católico temas relacionados a eliminar as causas profundas" (do conflito) na Ucrânia.
Ch.P.Lewis--AT