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Trump inicia viagem pelo Golfo dominada por acordos comerciais
O presidente americano Donald Trump desembarcou nesta terça-feira (13) na Arábia Saudita, primeira etapa de uma viagem que inclui Catar e Emirados Árabes Unidos, com o objetivo de assinar acordos comerciais ambiciosos, mas também com a intenção de abordar os conflitos no Oriente Médio.
A Casa Branca chamou a visita de "histórica", uma das grandes viagens de Trump ao exterior nos primeiros meses de seu segundo mandato presidencial.
Em seu primeiro mandato, Trump também escolheu a Arábia Saudita como destino de sua primeira viagem ao exterior.
A decisão do mandatário republicano de escolher novamente os ricos Estados petrolíferos do Golfo destaca o papel geopolítico crucial que estes países adquiriram e sua importância como parceiros comerciais dos Estados Unidos.
O conflito entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas em Gaza será um tema central da viagem, depois que o grupo libertou Edan Alexander, um refém israelense com cidadania americana que foi sequestrado no ataque de 7 de outubro de 2023.
Outro assunto na agenda é o programa nuclear do Irã, após a retomada das negociações entre Washington e Teerã com a mediação de Omã.
- Acordos comerciais -
Os acordos comerciais para indústrias importantes, como defesa, aviação, energia e novas tecnologias, incluindo a Inteligência Artificial (IA), são o tema central da viagem.
"O presidente espera com ansiedade embarcar em seu histórico retorno ao Oriente Médio", para promover uma visão na qual "o comércio e os intercâmbios culturais derrotam o extremismo", declarou na sexta-feira a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos certamente receberão o magnata republicano de 78 anos com muita pompa.
Nos oito anos transcorridos desde o início do primeiro mandato de Trump, estes países, importantes parceiros comerciais, conquistaram ainda mais relevância no cenário internacional.
O Catar é um mediador crucial nas negociações entre Hamas e Israel, enquanto a Arábia Saudita já auxiliou nos diálogos sobre a guerra na Ucrânia.
O príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, prometeu em janeiro aportar 600 bilhões de dólares (3,4 trilhões de reais) no comércio e investimentos americanos.
Segundo um funcionário de alto escalão próximo ao Ministério da Defesa saudita, Riade pressionará para adquirir caças de combate F-35 dos Estados Unidos, além de sistemas de defesa aérea de última geração, avaliados em bilhões de dólares.
"Vamos apresentar como condição que as entregas aconteçam durante o mandato de Trump", declarou a fonte à AFP.
- Críticas por "presente" temporário do Catar -
Os esforços para que a Arábia Saudita, como grande potência regional, reconheça Israel provavelmente não estarão na agenda da viagem, já que Riade insiste que primeiro é necessário estabelecer as bases para um Estado palestino.
Um tema de debate que precedeu a viagem foi o anúncio de que Trump aceitaria um luxuoso Boeing 747-8 oferecido pela família real do Catar, para substituir temporariamente o atual avião presidencial Air Force One e, eventualmente, continuar usando a aeronave após seu mandato.
O avião, avaliado por especialistas em 400 milhões de dólares (2,27 bilhões de reais), foi descrito pela imprensa americana como um "palácio no céu", gerou críticas por um possível conflito de interesses. A Constituição dos Estados Unidos proíbe que funcionários do governo aceitem presentes "de um rei, príncipe ou Estado estrangeiro".
Trump rebateu as críticas e afirmou que seria "estúpido" rejeitar o avião, que segundo ele é um presente "temporário".
O.Ortiz--AT